Os donativos angariados para apoiar as vítimas dos incêndios na zona centro do país irão ser aplicados na recuperação de habitações permanentes e no desenvolvimento de emprego na região, anunciou esta terça-feira a União das Misericórdias Portuguesas.

Até ao momento, foram angariados 450 mil euros através da conta solidária das Misericórdias com o Montepio, disse à agência Lusa uma fonte da UMP, ressalvando que este valor não contempla os 1,15 milhões de euros angariados no concerto “Juntos por Todos”.

Há ainda “várias empresas que estão a contactar a União das Misericórdias Portuguesas para doar bens” à população afetada pelos incêndios florestais, adiantou a mesma fonte.

Numa altura em que decorre a fase final do levantamento das necessidades mais prementes da população, o “grupo de trabalho de emergência”, criado pela UMP, definiu que “os fundos solidários angariados deverão, prioritariamente, apoiar a recuperação de imóveis de habitação permanente”.

Os donativos também serão aplicados na criação de “condições para o fomento de emprego que contribuam, a médio prazo, para evitar a desertificação das localidades afetadas e para o desenvolvimento regional e local”, segundo o “modelo de intervenção e de apoio” definido pelo grupo de trabalho, “para responder à catástrofe que assolou as comunidades do centro do país”.

“Todos os donativos angariados serão investidos no apoio direto às famílias afetadas pelos incêndios florestais“, reiterou em comunicado o presidente da UMP, Manuel de Lemos, garantido que serão “extremamente rigorosos e transparentes com cada cêntimo doado”.

Nesse sentido, “iremos criar uma plataforma digital de consulta pública de todos os donativos angariados”, anunciou Manuel de Lemos.

A UMP, juntamente com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Montepio, a Sonae Sierra e a associação de solidariedade Just a Change, está a trabalhar em estreita articulação com os serviços da Segurança Social, a Autoridade Nacional de Proteção Civil e as Câmaras Municipais e Misericórdias de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Sertã e Penela.

Para a intervenção local dos trabalhos, foi nomeada uma Comissão Executiva que conta com os provedores das localidades afetadas e dos residentes dos secretariados regionais da UMP de Leiria e Coimbra.

“Face ao impacto desta tragédia”, a UMP vai também apoiar a Administração Regional de Saúde Centro, através da mobilização de especialistas de saúde, como psicólogos, médicos e enfermeiros, para darem resposta imediata às necessidades da população.

O incêndio que deflagrou em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou a Figueiró dos Vinhos e a Castanheira de Pera, fazendo 64 mortos e mais de 200 feridos. As chamas chegaram ainda aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e por Penela.

Este fogo, juntamente com outro que deflagrou no mesmo dia em Góis, que alastrou a Arganil, terão afetado aproximadamente 500 habitações, 169 de primeira habitação, 205 de segunda e 117 já devolutas. Quase 50 empresas foram também afetadas, assim como os empregos de 372 pessoas.