O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, termina o seu terceiro e último mandato na liderança da bancada em setembro e não pode ser reeleito. Esta quinta-feira, na reunião da bancada parlamentar, Montenegro informou os deputados que a eleição do seu sucessor irá ocorrer no próximo dia 19 de julho, avançou o jornal Público e confirmou o Observador junto de fontes da bancada.

Trata-se do último plenário da sessão legislativa antes das férias.O objetivo é que a eleição não se arraste para setembro, altura em que os deputados vão estar mergulhados na campanha eleitoral autárquica. Na reunião, Pedro Passos Coelho disse aos deputados que tinham “autonomia total” para escolher o sucessor de Montenegro, não tendo de pedir autorização à direção nacional do partido para se candidatarem.

Entre os nomes que têm sido falados como possíveis sucessores está Luís Marques Guedes, que já foi líder da bancada no tempo de Luís Marques Mendes e foi ministro da Presidência no Governo de Passos Coelho, e Marco António Costa, homem forte do aparelho social-democrata. Estes são os pesos pesados do partido, sendo que também há quem fale em opções mais renovadoras, como os jovens deputados em ascensão. É o caso de Hugo Soares ou António Leitão Amaro, por exemplo.

À saída da reunião, Luís Montenegro confirmou a data aos jornalistas, dizendo tratar-se de um “processo normal, feito no tempo normal e com toda a regularidade em termos de tempo e de modo”. O ainda líder parlamentar recusa que haja uma antecipação e rejeita que o facto de haver eleições internas no PSD nas próximas duas semanas vá ser um fator de distração do ataque político ao Governo. “Não vai ser esse o nosso foco de intervenção política, claro que sei que vai haver algum aproveitamento, mas ainda tenho 15 dias de mandato e nestes 15 dias vou falar de tudo menos das eleições do grupo parlamentar”, disse.

“Não há antecipação. O meu mandato termina com o final da sessão legislativa e a próxima direção tem de ter tempo para projetar os seus trabalhos para a próxima sessão legislativa”, disse, referindo-se ao facto de ainda haver, à luz dos estatutos, a possibilidade de a eleição ser feita nso primeiros dias de setembro, uma vez que a próxima sessão legislativa só começa no dia 15 daquele mês. “Mas toda a gente sabe que, na prática, a transição se faz de julho para setembro, além de que em outubro há eleições autárquicas”, referiu.

Luís Montenegro exerce funções de líder parlamentar do PSD desde junho de 2011, quando foi eleito com 86% dos votos, tendo sido sucessivamente reeleito em outubro de 2013, com 87% dos votos, e em novembro de 2015 com quase 98% dos votos, sempre sem oposição. A atual direção da bancada do PSD tem, no total, 11 vice-presidentes: Hugo Soares, Carlos Abreu Amorim, Miguel Santos, Amadeu Albergaria, Adão Silva, Luís Leite Ramos, Miguel Morgado, Berta Cabral, António Leitão Amaro, Sérgio Azevedo e Nuno Serra.

Licenciado em direito e advogado, Luís Montenegro tem 44 anos e é deputado desde 2002, pelo círculo de Aveiro. O seu nome tem sido falado para uma eventual sucessão de Passos Coelho, embora rejeite candidatar-se contra o atual líder do partido. O congresso ordinário do PSD para eleição (ou reeleição) do presidente deverá acontecer no primeiro trimestre de 2018, poucos meses depois das autárquicas de 1 de outubro.