No período Jurássico, há cerca de 165 milhões de anos, passeava na ilha de Madagáscar o predador mais temido da região: Razanandrongobe sakalavae, um parente distante dos crocodilos, era veloz, tinha pernas retas e era o pesadelo dos dinossauros.

A ilha de Madagáscar ainda não estava separada tectonicamente da Índia e de África e já se tinha tornado casa para grande diversidade de répteis e dinossauros. Os restos fragmentados do fóssil de ‘Razana’, como é conhecido, são agora descritos numa pesquisa de paleontologistas italianos e franceses. A espécie foi documentada primeiro há cerca de uma década, mas devido às limitações dos fósseis, a sua especificação manteve-se desconhecida.

O recente estudo publicado na passada terça-feira na revista PeerJ permitiu apontar, através de novos fósseis de mandíbulas e dentes, que o “maior carnívoro terrestre deste ecossistema” era efetivamente um réptil parente dos crocodilos e jacarés modernos. Para além das narinas voltadas para a frente e a formação do maxilar inferior, o ‘Razana’ tinha também os dentes expandidos lateralmente, evidências que os aproximam dos crocodilos.

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Segundo a publicação, as suas mandíbulas eram robustas, mas possivelmente curtas, e os dentes largos e em serilha – maiores que os do T. Rex e dinossauros de tamanho semelhante – que permitiam a perfuração de tecidos muito duros como ossos e tendões. Muitas características da espécie, incluindo a dentição, sugerem que a alimentação do réptil era à base destas matérias.

‘Razana’ podia “superar dinossauros terópodes – bípedes, carnívoros e omnívoros – no topo da cadeia alimentar”, disse Cristiano Dal Sasso, paleontólogo do Museu de História Natural de Milão, em comunicado. Os investigadores pretendem encontrar mais alguns ossos para tentar completar o esqueleto, mas as escavações nestas áreas de Madagáscar são de difícil acesso. O aprofundamento desta pesquisa vai ajudar a preencher a linhagem “fantasma” neste grupo, ao descobrir outros exemplos do período Jurássico.

“Começámos com dentes isolados e fragmentos ósseos e acabámos por trazer de volta à vida uma triturador de ossos de uma tonelada”, disse Cristiano Dal Sasso.