O deputado social-democrata Hugo Soares vai mesmo avançar com uma candidatura para a liderança da bancada do PSD, depois de, diz, ter recebido “inúmeras manifestações de apoio de colegas deputados”. A confirmação do que já era expectável foi feita pelo próprio em comunicado de imprensa. Antes, contudo, enviou um email a todos os deputados do PSD a explicar os motivos.

Marco António Costa chegou a ser apontado como um nome provável, e o Expresso noticiou esta quinta-feira que “admitia avançar”, mas a candidatura não se confirmou e o homem forte do aparelho do PSD já disse ao mesmo jornal que apoiava Hugo Soares caso decidisse avançar.

A candidatura de Hugo Soares será única, sem adversários. Ao que o Observador apurou junto de fontes da bancada, a eleição — que podia ser nos primeiros dias de setembro, antes do arranque da próxima sessão legislativa — foi marcada já para o dia 19 de julho para evitar lutas. Caso fosse em setembro, como costuma ser, haveria mais tempo para outras candidaturas se mobilizarem, sendo assim, vence a continuidade.

Luís Montenegro, que lidera a bancada desde 2011, “tinha isto tudo muito coeso”, diz fonte da bancada ao Observador, evidenciando que é nessa lógica de coesão que é mais fácil para aquele que tem sido o número dois de Montenegro colher apoios já, do que outros nomes que têm estado mais “afastados”. Marco António Costa e Luís Marques Guedes encontram-se neste leque de deputados mais afastados, numa perspetiva de “elite”.

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Hugo Soares é atualmente vice-presidente da bancada parlamentar, sendo ele que substitui Luís Montenegro nas funções de liderança da bancada sempre que é necessário, nomeadamente nas conferências de líderes.

Hugo Soares deverá ser candidato à liderança parlamentar do PSD

Pouco antes de anunciar a decisão publicamente, Hugo Soares enviou um e-mail aos colegas da bancada, ao final da manhã, para explicar a decisão. “Faço-o depois de uma reflexão pessoal, mas também em resposta ao estímulo e impulso que recebi de um conjunto muito alargado de colegas”, disse, sublinhando ter “noção da responsabilidade” e da “dimensão” do desafio.

Com 34 anos, uma das críticas que é apontada à candidatura do ex-líder da JSD à liderança da bancada é a idade e a falta de experiência em cargos de topo. Mas Hugo Soares rejeita que tal seja um problema, dizendo sentir-se “preparado para continuar a liderar uma oposição coerente, responsável e acutilante”.

Na mesma nota, a que o Observador teve acesso, Hugo Soares diz que é seu dever fazer tudo para voltar a eleger o presidente do PSD como primeiro-ministro, sublinhando que não voltará a falar do tema da eleição do sucessor de Montenegro nos próximos dias para não desviar atenções do mais importante. “Concentremo-nos plenamente no debate do Estado da Nação”, pediu.

A eleição está marcada para o dia 19 de julho, último dia de plenário no Parlamento antes das férias. Em setembro haverá ainda 15 dias pertencentes a esta sessão legislativa, sendo que a nova sessão arranca no dia 15 desse mês. Só nessa altura caduca o mandato de Luís Montenegro, que por imposição dos estatutos não pode voltar a ser eleito.

Esta quinta-feira à saída da reunião da bancada, onde Luís Montenegro anunciou a data das eleições, o ainda líder parlamentar defendeu a “normalidade” do processo e rejeitou qualquer “antecipação”. “O meu mandato termina com o final da sessão legislativa e a próxima direção tem de ter tempo para projetar os seus trabalhos”, disse. “Além de que toda a gente sabe que, na prática, a transição se faz de julho para setembro, e em outubro há eleições autárquicas”, acrescentou.

Alguns deputados, soube o Observador, ficaram surpreendidos com a marcação das eleições para uma data tão próxima, não deixando tempo para outros deputados menos sedimentados no grupo parlamentar avançarem com uma candidatura. Desta forma vence a “continuidade”.

Certo é que os tempos políticos do PSD preveem-se mais agitados a partir de setembro, com a campanha eleitoral autárquica e, depois, com o congresso ordinário do PSD, que será nos primeiros meses do ano, para eleger o presidente e candidato a primeiro-ministro. Passos Coelho será candidato a mais um mandato, mas desta vez poderá haver opositores.