Novos confrontos foram registados esta sexta-feira à margem da cimeira do G20 em Hamburgo, na Alemanha, com manifestantes a incendiarem carros da polícia, informaram as autoridades através do Twitter. A polícia de Hamburgo voltou esta sexta-feira a recorrer a canhões de água para dispersar manifestantes que querem bloquear os acessos à cimeira do G20, depois de distúrbios que já resultaram em 111 agentes feridos e 44 detidos.

A polícia divulgou um comunicado com a contagem mais recente dos incidentes durante a noite, protagonizados por jovens encapuzados que tomaram o controlo de uma manifestação convocada na tarde de quinta-feira sob o lema “bem vindos ao inferno”.

Esta sexta-feira, grupos de ativistas tentaram bloquear os acessos ao centro de congressos onde durante dois dias decorre a cimeira das principais economias do mundo e as potências emergentes, tendo a polícia recorrido a canhões de água para os dispersar.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, que ia participar num evento no G20, cancelou a sua presença face ao dispositivo de segurança destacado, informaram os organizadores do evento.

A polícia federal informou, pouco antes das 7h00 (8h00 em Lisboa), sobre uma “operação em curso contra pessoas violentas”, que lançaram cocktails Molotov e incendiaram “viaturas de patrulha” no bairro de Altona, perto de uma esquadra da polícia.

Cerca de 12 mil pessoas participaram na manifestação de quinta-feira e as forças de segurança identificaram cerca de 2.000 delas, a maioria encapuzados, incluindo elementos de grupos violentos. A polícia de Hamburgo informou também que tinham sido detetados objetos nos carris de uma estação de comboio, o que afetou a circulação ferroviária em vários pontos.

Mas, segundo as autoridades, são esperados até 100 mil manifestantes em ações à margem da cimeira do G20, marcada hoje pelo primeiro encontro entre os presidentes norte-americano, Donald Trump, e russo, Vladimir Putin.

Cimeira G20 começa hoje na Alemanha com reunião sobre luta contra o terrorismo

Os manifestantes pretendem impedir o acesso dos chefes de Estado ao centro de congressos. Quatro helicópteros da polícia sobrevoavam a zona, constatou um jornalista da AFP, depois de uma noite já marcada por confrontos entre milhares de manifestantes e as forças da ordem, de que resultaram dezenas de feridos, incluindo polícias. Nas redes sociais começam a ser partilhados vários vídeos das manifestações, onde se consegue perceber a dimensão e a violência do conflito.

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A polícia de Hamburgo, por sua vez, referiu “uma nuvem de fumo negro” a elevar-se no oeste da cidade, enquanto viaturas “foram incendiadas” em diferentes bairros. Os manifestantes bloquearam vários cruzamentos e “corredores de transferência”, segundo a mesma fonte, perturbando as deslocações das delegações dos países mais industrializados e emergentes.

O sindicato da polícia GdP condenou na manhã desta sexta-feira “os ataques massivos de grupos de extremistas violentos”, indicando que os “autoproclamados ‘Black Blocks'” tomaram o controlo das manifestações pacíficas de dezenas de milhares de pessoas para atacar deliberadamente” a polícia.

Vários agentes da polícia alemã tentam conter a marcha radical de manifestantes em Hamburgo, que protestam contra a cimeira G20 (MARKUS SCHOLZ/AFP/Getty Images)

Cerca de 20 mil polícias de toda a Alemanha foram destacados para a cidade portuária de Hamburgo por ocasião da cimeira face aos riscos de atentado e violência, mas já estarão a ser pedidos reforços.