Uma ilha sagrada de Okinoshima e três recifes, bem como outros quatro locais no sudoeste do Japão, foram adicionados à lista do Património Mundial da UNESCO. O estatuto foi atribuído na cimeira anual da ONU que se realizou em Cracóvia, na Polónia, este fim-de-semana.

Okinoshima, que se situa entre a ilha japonesa Kyushu e a Península sul-coreana, mantém regras rígidas e antigas que restringem a entrada no local: apenas são permitidos 200 turistas por ano e há uma proibição total para o sexo feminino. A visita anual é feita no dia 27 de maio para honrar os marinheiros que morreram numa batalha naval durante a guerra russo-japonesa, no início do século XX, diz o The Guardian.

Antes de chegar a terra, os turistas devem realizar alguns rituais como tirar a roupa e fazer misogi, isto é, nadarem nus para removerem quaisquer impurezas do corpo. De acordo com o website da ilha, é proibido levar objetos de casa, por mais pequenos que sejam. Nunca foi divulgada a razão para as mulheres estarem proibidas de entrar ilha, mas existe uma teoria, baseada na crença xintoísta, que refere que o sangue menstrual é impuro.

Okinoshima esconde riquezas seculares. Cerca de 80 mil itens considerados tesouros nacionais foram descobertos na ilha, incluindo espelhos da dinastia chinesa Wei, anéis de ouro da península coreana e fragmentos de uma tigela de vidro persa.

Com o novo estatuto da ilha, os residentes têm receio que esta seja destruída pelos turistas. No entanto, Takayuki Ashizu, o principal sacerdote de Munakata Taisha – o santuário da religião xintoísta -, após ser abordado por inúmeras agências de viagens, disse que as tradições e regras da ilha não iriam mudar.