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Pela terceira vez este ano, Robert Mugabe, presidente do Zimbabué, de 93 anos, voou até Singapura por motivos de saúde. Mas, desta vez, não conseguiu fugir à mira da oposição no país.

De acordo com um ministro local, em declarações ao Standard que surgem citadas no The Guardian, o cancelamento de um evento do ZANU-PF (União Nacional Africana do Zimbabué – Frente Patriótica) no fim de semana deveu-se a uma visita privada. Uma versão incapaz de convencer a oposição no partido. “A sua casa agora é Singapura. O país está estagnado porque o presidente governa a partir da cama de um hospital”, disse um porta-voz.

A saúde do líder africano mais velho do mundo, que chefia os destinos do país desde 1980, após vários anos de guerra, tem sido muito falada nos últimos tempos e de diferentes perspetivas, seja a nível de impacto financeiro (estima-se que já tenha gasto mais em tratamentos médicos fora do país do que o valor estipulado em termos orçamentais para melhorar os hospitais e os centros de saúde do Zimbabué), seja pela capacidade, ou não, de continuar a ocupar o cargo. Exemplo: quando Mugabe surgiu numa reunião de olhos fechados, os seus assessores apressaram-se a explicar que estava apenas a descansar os olhos no seguimento de uma intervenção que tinha feito, o que não convenceu a oposição ao presidente.

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Em fevereiro, perto do 93.º aniversário de Robert Mugabe, a mulher do presidente, Grace Mugabe (que tem surgido mais vezes em atos públicos, no lugar do marido), tinha defendido num comício em Buhera que, mesmo morto, o atual líder seria reeleito nas eleições do próximo ano. “Um dia, quando Deus decidir Mugabe deve morrer, apresentaremos o seu cadáver como candidato”, referiu.

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Na mesma ocasião, Grace Mugabe lançou fortes críticas a alguns antigos companheiros de guerrilha do marido que, agora, estariam a tentá-lo tirar da liderança. “Os que estiveram com ele em 1980 não têm o direito de lhe dizer que ele é velho. Se querem que ele se vá embora, então saiam juntos”, disse, sem esquecer os outros elementos do partido que estarão também interessados num outro candidato para as eleições de 2018.