O ministro da Saúde de Portugal sublinhou, esta segunda-feira, em Madrid a “concertação perfeita” entre os serviços de saúde de Portugal e Espanha na transferência para Valência (Espanha) de um ferido grave do incêndio de Pedrogão Grande.

Trata-se de um doente com queimaduras muito sérias e os recursos técnicos e clínicos em Portugal foram esgotados e era necessário fazer um transplante de pele onde estas competências são especialmente avançadas no centro [de saúde] espanhol”, explicou Adalberto Campos Fernandes.

Para o responsável governamental, havendo em Valência um centro que tem competência e qualificação específica naquele domínio, a “obrigação” do serviço de saúde português “era fazer o melhor possível por aquele cidadão e foi isso que foi feito, numa concertação perfeita” com o serviço de saúde espanhol.

O presidente da autarquia de Pedrogão Grande revelou no domingo à agência Lusa que um dos feridos mais graves do incêndio que deflagrou no Concelho em 17 de junho foi transferido do Porto para Espanha.

Segundo Valdemar Alves, tratava-se de um homem com cerca de 40 anos, residente em Lisboa, que naquele dia estava em casa de familiares e se voluntariou para combater as chamas, que o acabaram por ferir com bastante gravidade.

O autarca explicou ainda que a transferência para uma unidade de Valência se destina a uma recolha de pele para transplantação, área em que os espanhóis estão mais preparados.

O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foi dado como extinto uma semana depois.

Quatro dos feridos são bombeiros da corporação de Castanheira de Pera, dos quais, na sexta-feira, três apresentam avanços e recuos no estado de saúde e o caso mais favorável é o de uma operacional internada em Coimbra.

Dois grandes incêndios começaram no dia 17 de junho em Pedrógão Grande e Góis, tendo o primeiro provocado 64 mortos e mais de 200 feridos. Foram extintos uma semana depois. Estes fogos terão afetado aproximadamente 500 habitações, 169 de primeira habitação, 205 de segunda e 117 já devolutas. Quase 50 empresas foram também afetadas, assim como os empregos de 372 pessoas.