Os venezuelanos bloquearam esta segunda-feira, durante 10 horas, ruas importantes de várias cidades do país, em protesto contra a Assembleia Constituinte promovida pelo Presidente Nicolás Maduro para alterar a Constituição.

O protesto, convocado pela oposição, teria uma duração inicial de duas horas, mas a população, através das redes sociais, decidir extender até 10 horas, obrigando a aliança opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) a criticar a decisão popular. O líder opositor e ex-candidato presidencial Henrique Capriles Radonski foi fortemente criticado pelos venezuelanos por insistir que o protesto deveria ser de apenas duas horas.

Em Caracas, o protesto congestionou importantes aéras da capital, causando, por um lado, que algumas ruas estivessem praticamente vazias, e noutras, apesar de o trânsito se fazer num só sentido, que circulassem carros em ambas direções, procurando formas de escape.

Ainda na capital, comerciantes de Chacao (leste) encerraram os seus estabelecimentos à hora de início do protesto e conhecidos centros comerciais fecharam as suas portas, entre eles San Ignacio e o Centro Lido. Nas portas (fechadas) de alguns comerciantes, surgiram grafitis com mensagens como “estamos em rebelião”, “Maduro assassino” e “Maduro ditador”.

Durante mais de quatro horas, funcionários da Polícia Nacional Bolivariana reprimiram os estudantes da Universidade Central da Venezuela, que, numa das entradas daquela instituição, realizaram um “bloqueio contra a ditadura”. A ação policial provocou pelo menos dez feridos.

Em El Rosal (leste), apesar da repressão das forças de segurança, estudantes mantinham (às 2h00 de Lisboa) o bloqueio que mantém encerrada a auto-estrada Francisco Fajardo, que atravessa a cidade. A imprensa venezuelana dá conta de que quatro pessoas foram feridas, por armas de fogo, durante o bloqueiro em Valle Hondo, na cidade de Barquisimeto, Estado de Lara, no centro do país.

A ONG Funpaz responsabilizou os funcionários da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar) pelo ocorrido. Por outro lado, em Cabudare (oeste do país) há denúncias de ataques da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) contra manifestantes, em pelo menos duas zonas. O “trancazo” foi a primeira ação do que a oposição diz que será uma semana de protestos dê cara a uma consulta popular, promovida pela oposição para 16 de julho, junto de praças e igrejas do país.

Nesse dia, a oposição realizará uma espécie de plebiscito em que os venezuelanos devem responder se apoiam o não a Assembleia Constituinte promovida pelo Presidente Nicolás Maduro e convocada para 30 de julho, que dizem instaurará um regime comunista no país. Por outro lado, com o voto, pretendem exigir que as Forças Armadas iniciem ações para defender a atual Constituição e respalde o parlamento, onde a oposição detém a maioria, desvinculando-se do Governo.

Venezuela enfrenta a “mãe de todas as manifestações”

Uma terceira pergunta será feita aos venezuelanos, sobre se aprovam uma renovação dos poderes Públicos, a realização de eleições livres e a conformação de um governo de unidade nacional.

Na Venezuela, os protestos contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro intensificaram-se desde 1 de abril. Desde então 92 pessoas morreram em protestos.