O Presidente são-tomense Evaristo Carvalho disse, esta quarta-feira, que o seu país vive “dependente da generosidade internacional” e a economia “continua desequilibrada e persistente” na sua relação de dependência com o exterior.

O dia-a-dia do nosso país depende da generosidade internacional, pois as nossas despesas de investimento são financiadas em mais de 90% com recursos externos, o que limita às autoridades a possibilidade de execução de uma política genuína de desenvolvimento sustentado”, disse, no discurso das comemorações do 42.º aniversário da independência do país, que hoje se assinala.

A nossa economia continua desequilibrada e persistente na sua relação de dependência com o exterior“, acrescentou o chefe de Estado.

Durante mais de 15 minutos de discurso, Evaristo Carvalho sublinhou o “desacerto na execução de políticas adequadas”, enfatizando que o “pouco aproveitamento das oportunidades conseguidas ao longo dos anos” está na origem da atual situação de pobreza do país.

O desacerto na implementação e execução de políticas adequadas, o pouco aproveitamento das oportunidades conseguidas ao longo dos anos e a falta de estabilidade política refletem-se, nos dias de hoje, na nossa economia, traduzida na incapacidade de gerar emprego e riqueza que garantem o progresso e uma melhor qualidade de vida a todos os são-tomenses”, explicou.

O chefe de Estado lembrou que a conquista da independência do país em 1975 foi “marcada por um forte desejo de liberdade e desenvolvimento”, e a instauração de um Governo democrático com o surgimento da segunda república em 1990 permitiu igualmente maior participação dos cidadãos na definição de políticas públicas de desenvolvimento, “reforçando, deste modo, as garantias dos direitos e das liberdades”.

No entanto, lembrou o poder político que a edificação e a consolidação do estado de direito democrático no arquipélago ainda “não é uma obra acabada”.

Devemos dedicar sempre as atenções para o reforço das instituições democráticas e estarmos atentos e recetivos à criação de novos espaços de liberdade para todos os cidadãos”, defendeu Evaristo Carvalho.

O Presidente considerou ainda que a “sobrevivência económica” de São Tomé e Príncipe deve passar “inevitavelmente pela tomada de consciência urgente de que temos de contar com os nossos próprios esforços e optar por uma melhor e maior capacidade de organização e de trabalho”.

O chefe de Estado disse acreditar que o recente restabelecimento das relações diplomáticas com a República Popular da China possa dar ao país “uma excelente oportunidade e novas fontes de financiamento que certamente permitirão concretizar alguns projetos estruturantes”.

Defendeu, no entanto, “um corajoso, profundo e descomprometido” processo de reforma “em todos os setores da sociedade”.

É preciso reformar em profundidade o sistema judiciário, melhorando o acesso de todos à justiça, os seus custos, cortando os seus labirintos e iluminando as suas zonas cinzentas”, disse.

As atividades para assinalar os 42 anos da independência do país tiveram como palco a cidade da Trindade, capital do Distrito de Mé Zóchi, o segundo maior do país.

A presidente da câmara local, Isabel Domingos, apelou à população para valorizar as portas que a independência abriu e “as conquistas alcançadas a vários níveis no desenvolvimento político, económico e social do país“, mesmo que elas ainda estejam “longe do ideal do desenvolvimento humano exigido”.

Quarenta e dois anos passaram e estamos a comemorar a nossa independência num momento em que a exigência socioeconómica é elevadíssima”, disse, sublinhando que a necessidade de todos estarem “aliados, cientes, unidos e sensibilizados em torno do fundamental nunca foi tão imperiosa”.