Os Estados Unidos não estão contentes com os esforços da China para domar o seu vizinho reblede, a Coreia do Norte e por isso há novas sanções em cima da mesa de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que podem ser aprovadas em poucas semanas, escreve a agência de notícias Reuters, citando fontes da administração Trump.

As sanções poderão, num primeiro momento, atingir apenas pequenas instituições financeiras e empresas chinesas suspeitas de terem ajudado a Coreia do Norte a desenvolver o seu arsenal de guerra. Os oficiais do governo norte-americano que falaram com a Reuters fizeram-no sob anonimato e escusaram-se, também, a nomear os potenciais alvos destas sanções. Bancos com risco sistémico estão fora da lista, garantiu um dos oficiais à Reuters, mas o próprio Donald Trump disse ao presidente chinês Xi Jinping, na Flórida, em abril, que dessa lista constavam “bem mais do que dez empresas”.

O volume de negócios entre a China e a Coreia do Norte, um país pobre e muitas vezes considerado o mais hermético do mundo, cresceu mais de 10% entre janeiro e junho de 2017, em relação aos números registados no mesmo período do ano anterior.

As dúvidas de que a China esteja a fazer o necessário para impedir que a Coreia do Norte continue a financiar o seu programa de proliferação nuclear pairam sobre as relações entre os Estados Unidos e o gigante comunista e Donald Trump já se mostrou frustrado com aquilo que considera a “tolerância” dos chineses. “Lá se vai essa ideia de que iríamos trabalhar juntos”, escreveu o Presidente dos Estados Unidos na rede social Twitter.

O calendário e abrangência das sanções vai depender de como a China venha a responder a mais esta pressão e se irá, ou não, começar a tirar o pé do acelerador no que toca à venda de mercadoria à Coreia do Norte que será depois utilizada no desenvolvimento de armas nucleares cada vez mais potentes. Tudo isto será decidido numa reunião em Washington na próxima quarta-feira mas alguns dos principais conselheiros de Trump confidenciaram à Reuters que o Presidente se tem mostrado progressivamente mais frustrado com a China, uma impaciência que só se agudizou na semana passada, quando a Coreia de Norte testou o seu primeiro míssil intercontinental.

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As chamadas “sanções secundárias” também estão em cima da mesa e seria aplicadas igualmente sobre empresas com ligações à Coreia do Norte. Um dos formatos a ser estudado é a possibilidade de vedar o acesso de algumas destas firmas ao sistema financeiro norte-americano. Isto enquanto a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, tenta pressionar o Conselho de Segurança para que se desenham novas e mais apertadas sanções também para a própria Coreia do Norte.

Apesar de terem frisado que ainda não há decisões finais, as fontes da Reuters garantiram que a pressão na China é crucial para manter a Coreia no Norte sob controlo já que a China é dos poucos países que ainda mantém relações com o regime de Kim Jong-un.