Se dúvidas ainda existissem, uma imagem mesmo no final do encontro teve o condão de dissipá-las. Após o quinto golo do Young Boys, apontado por Fassnacht, os adeptos do Benfica prepararam a habitual invasão pacífica do relvado e até se anteciparam ao último apito do árbitro. Os seguranças do recinto conseguiram todas as investidas menos uma. E foi esse adepto que correu até ao banco dos encarnados, colocou-se de joelhos, pareceu tentar beijar os pés de Rui Vitória, levantou-se e começou a correr de novo para a bancada. Estava tudo bem.

No segundo encontro da pré-temporada, as águias deslocaram-se à Tissot Arena para defrontarem o Young Boys e saíram goleadas por 5-1. Algo que, olhando para a primeira parte do encontro, não era expectável (e só para os 25 minutos iniciais, muito menos). Mas aconteceu, com tanto mérito dos suíços (numa fase mais adiantada da época, não só a preparar o início do Campeonato mas também a terceira pré-eliminatória da Champions) como demérito dos encarnados, que erraram demasiado em termos defensivos sobretudo no segundo tempo.

Ficha de jogo

Mostrar Esconder

Benfica-Young Boys, 1-5

Jogo particular (inserido na Uhren Cup)

Tissot Arena, em Bienne (Suíça)

Benfica: Júlio César (Bruno Varela, 46′); André Almeida (Willock, 85′), Jardel, Lisandro López (Kalaica, 64′), Hermes (Pedro Pereira, 46′); Fejsa (Chrien, 64′), Filipe Augusto (Carrillo, 85′); Rafa (Heriberto, 64′), Diogo Gonçalves (Cervi, 46′), Jonas (André Horta, 64′) e Seferovic (Arango, 85′)

Treinador: Rui Vitória

Golos: Jonas (22′), Assalé (25′ e 74′), Suljemani (50′) e Fasnacht (86′ e 88′)

Ação disciplinar: Jonas (31′) e Rafa (53′)

O que aconteceu até ao relógio avariar? Desde cedo se notou uma desenvoltura interessante nas trocas de bola e nas transições ofensivas do Young Boys (um adversário com mais qualidade do que o Neuchâtel Xamax), mas o Benfica foi conseguindo criar alguns lances de perigo a pecarem no último passe. Filipe Augusto tentou a meia-distância com perigo aos 15′, o inevitável Jonas marcou mesmo aos 22′, beneficiando de um livre que desviou na barreira. Todavia, os suíços não demoraram a empatar, por Assalé, aproveitando a primeira de muitas falhas defensivas dos encarnados num estádio completamente cheio de emigrantes portugueses (25′).

Fosse pelo empate em si, fosse pela forma como ele foi consentido, o encontro parou nesse momento para o Benfica. Júlio César ainda viu uma bola de Assalé no seu poste, após ultrapassar Jardel (que está longe ainda da melhor condição física), mas seria Bruno Varela a sofrer quatro golos nos derradeiros 45 minutos do encontro.

https://twitter.com/Uhrencup/status/886262101685280770

Suljemani, o extremo que passou pela Luz, fez o 2-1 logo aos cinco minutos da segunda parte, beneficiando da total passividade do eixo central recuado das águias. Jonas, aos 58′, ainda falhou uma grande penalidade para ajudar à festa (dos suíços), mas seria o 3-1 do inevitável Assalé a arrumar por completo com este particular relativo à Uhren Cup.

Fasnacht, aos 86′ e aos 88′, sentenciou o resultado final numa altura em que Rui Vitória já tinha mexido praticamente em quase toda a equipa, lançando muitos jovens na partida.

“Sofremos muitos golos em poucos minutos, o que originou um resultado muito desnivelado. Temos de melhorar, trabalhar e unir o grupo pois há jogadores que chegaram este ano. Temos de falar entre nós pois isto não pode acontecer. Temos de trabalhar e muito, mas há muitos dias para corrigir os erros que cometemos”, salientou Franco Cervi, extremo que hoje começou no banco de suplentes em detrimento de Rafa.

E terminamos como começámos, com aquela imagem do adepto encarnado a invadir o relvado para se ajoelhar perante Rui Vitória. Não é bom nem ninguém gosta de perder por 5-1, mesmo que seja apenas um jogo particular. Mas a figura do técnico bicampeão nacional está e continua em altas. E da mesma forma como foi ele que conseguiu encontrar soluções para as saídas de Maxi Pereira, Lima (2015/16), Renato Sanches, Nico Gaitán e Gonçalo Guedes (2016/17), também será ele a procurar suprir as lacunas deixadas em aberto com as vendas de Ederson, Nélson Semedo e Lindelöf (e que começam a ficar demasiado visíveis, sobretudo com Luisão de fora). Nem que tenha mesmo de ir ao mercado…