O Exército só poderá substituir os dois tenentes-generais que se demitiram no início desta semana, depois de um despacho conjunto dos ministros das Finanças e da Defesa a permitir as promoções nas Forças Armadas. Segundo apurou o Observador, nem o ramo nem o Ministério da Defesa sabem quando será publicado o aditamento a permitir estas promoções, que não estavam previstas no plano dos ramos. Provavelmente só em setembro.

Também ainda não houve um pedido do Exército ao Governo nesse sentido, de acordo com uma fonte oficial do Estado-Maior do ramo. No início desta semana, o Comandante das Forças Terrestes, tenente-general Faria Menezes, e o Comandante de Pessoal, tenente-general Antunes Calçada, pediram para passar à reserva como forma de protesto pelo modo como o chefe do Estado-Maior do Exército geriu o pós-assalto aos paióis de Tancos.

Para já, o Comando das Forças Terrestres será assumido pelo segundo comandante, Cóias Ferreira, como noticiou a Lusa esta sexta-feira, enquanto o comando de pessoal fica temporariamente sob alçada do vice-CEME, Rodrigues da Costa.

Major-general Cóias Ferreira assume Comando das Forças Terrestres do Exército

Esta saída intempestiva de dois oficiais generais em divergência pública com o CEME é uma situação que tem sido rara no Exército português. Na prática, passa a haver um hiato na hierarquia, uma vez que o Exército tem quatro generais de três estrelas (os tenentes-generais): com a saída dos demissionários, resta o tenente-general Campos Serafino, que é o Comandante da Logística e o tenente-general Rodrigues da Costa, vice-CEME.

A saída dos dois generais implicará uma reorganização na estrutura superior do Exército mas o chefe do Estado-Maior do ramo, general Rovisco Duarte, poderá esperar por setembro para uma reorganização completa, avançou a Lusa. Nessa altura passará à reserva, por limite de tempo no posto, o tenente-general vice-chefe do Estado-Maior, Rodrigues da Costa.

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