A China estará a censurar o envio de imagens através de pelo menos duas aplicações populares de mensagens, o WhatsApp, aplicação detida pelo Facebook, e o WeChat, uma aplicação de chat chinesa, bloqueando as imagens já depois de enviadas mas antes de serem recebidas pelos seus destinatários.

De acordo com uma análise de vários investigadores da Universidade de Toronto, noticiada pelo Wall Street Journal, a censura ter-se-á intensificado na sequência da morte do dissidente chinês Liu Xiabao, que morreu na semana passada vítima de cancro num hospital chinês, sob custódia da polícia chinesa.

Liu Xiabao, que cumpria uma pena de prisão de 11 anos por incitar à subversão contra o poder do Estado, foi reconhecido com o prémio Nobel da Paz em 2010, quando já estava preso. Xiabao é o primeiro preso político galardoado pela academia sueca pelo seu contributo para a paz a morrer sob custódia desde, pelo menos, o final dos 30. Na sequência da sua morte, as autoridades chinesas tentaram limitar ao máximo os tributos e as referências ao legado do dissidente e, segundo os investigadores, terá aumentando substancialmente o controlo na Internet e nas aplicações de chat.

No WeChat, a mais popular destas aplicações na China, a censura chinesa terá implementando um novo sistema para bloquear a transmissão de fotos já depois de enviadas, antes de chegarem aos destinatários.

No caso do WeChat, esta possibilidade ganha mais relevância porque as autoridades chinesas já aplicavam censura sob várias palavras consideradas chave. Para contornar essa censura, os utilizadores trocavam imagens. Para enganar os censores, as imagens eram, por vezes, enviadas na horizontal, ou na diagonal. Agora, as autoridades estarão a conseguir limpar essas imagens ainda antes de serem recebidas.

Mas não foi só o WeChat que foi afetado. O WhatsApp, uma das aplicações mais utilizadas no mundo inteiro, terá tido problemas esta terça-feira no seu serviço na China. A aplicação, das poucas permitidas em território chinês (ao contrário da aplicação do Facebook, que é dono do WhatsApp), terá tido várias dificuldades na troca de imagens, mas, segundo o jornal, não fez qualquer alteração na sua forma de funcionamento.

O WhatsApp é uma das aplicações que aplica um nível elevado de encriptação para garantir a segurança e a privacidade das conversas.