O incêndio que lavra desde domingo no concelho de Mangualde está a registar nesta tarde de terça-feira uma evolução favorável e está “de alguma forma a ceder aos meios”, informou fonte da Autoridade Nacional de Proteção Civil. Apesar da evolução desde o período da manhã, o fogo “não está ainda dominado e completamente estabilizado”.

Temos ainda algumas reativações pontuais, alguns pontos quentes para onde estamos a projetar meios para tentar garantir que não cresçam”, descreveu, perto das 13h00.

No terreno encontravam-se, às 12h40, 487 operacionais, apoiados por 144 meios terrestres e cinco meios aéreos, além de três máquinas de rasto. “Temos o teatro de operações devidamente organizado, com situações em vigilâncias e outros setores com pontos quentes, que é onde os meios estão a fazer mais trabalho. Estamos convencidos de que os meios e a estratégia no terreno são os mais adequados”, concluiu.

De acordo com o Comandante Distrital de Operações de Socorro (Codis) de Aveiro, António Ribeiro, o arrefecimento noturno e a humidade revelaram-se favoráveis na resolução da maior parte das frentes. “Agora estamos com trabalho de consolidação e rescaldo, de muita atenção para, com o aumento do calor durante o dia, não sermos surpreendidos com reativações que sejam muito fortes”, acrescentou.

António Ribeiro disse ainda que este incêndio não registou qualquer ferido de que tenha conhecimento. “Ainda não temos ideia da área que ardeu, mas foi uma área grande”, concluiu.

Esta terça-feira, o presidente da junta da União das Freguesias de Tavares, Alexandre Constantino, revelou que as chamas consumiram mais de 50% da área da União das Freguesias de Tavares. De acordo com o presidente, a aldeia de Vila Cova de Tavares foi a mais fustigada.

Penso que ardeu 50 a 60% da área da freguesia. Infelizmente temos muito prejuízo na freguesia”, apontou, sem saber ainda quantificar.

É exatamente em Vila Cova de Tavares que continua ativa uma frente de fogo, que levou a GNR a cortar um pequeno troço da Estrada Nacional 16 para que “os bombeiros realizassem um exercício” de contenção de fogo. O presidente da junta da União das Freguesias de Tavares, que se encontra no local, explicou que esta é uma freguesia rural e onde muitas pessoas se dedicam à criação de gado e produção de leite.

“Para além da floresta que ardeu, casas e automóveis escaparam. Há é animais que vão ficar sem o seu pasto e muitas pessoas dependem disso”, referiu.

João Azevedo lamentou os “muitos danos no concelho, muitas situações que vão prejudicar as famílias”, referindo que já arderam, para além de muita floresta e mato, uma segunda habitação, palheiros, apoios agrícolas, “tudo bens que representam grandes prejuízos”, mas a “preocupação fundamental” tem sido proteger as pessoas, salienta.

Trata-se de “um incêndio brutal e que tem muito a ver com o mau comportamento de alguém que quis prejudicar o concelho”, sustenta o presidente da Câmara de Mangualde, considerando que “não é normal” em tão poucos minutos registarem-se “três ignições, numa extensão longa, numa estrada municipal”.

Os três incêndios deflagraram na tarde de domingo, entre as 15h52 e as 16h09, nas freguesias de Abrunhosa-a-Velha, de Cunha Baixa e de Santiago de Cassurrães e Póvoa de Cervães, de acordo com a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

*artigo atualizado às 13h45 com novas informações