O primeiro-ministro escusou-se, esta quarta-feira, a comentar a forma que a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) escolheu para divulgar informação sobre os incêndios florestais, que levou o PSD a falar de uma “lei da rolha”.

Após uma cerimónia militar a bordo da fragata Bartolomeu Dias, que partiu de Alcântara com destino a Cascais, António Costa não respondeu aos jornalistas quando questionado sobre a decisão da ANPC, deixando de seguida o navio, a bordo de um helicóptero da Marinha.

A ANPC anunciou na terça-feira que vai fazer a partir desta quarta-feira dois ‘briefings’ diários, incluindo aos fins de semana, sobre os incêndios no país. A Autoridade justificou a medida com a necessidade de divulgação de informação completa e atualizada em matéria de incêndios rurais, e com a necessidade de libertar “os comandantes das operações de socorro” dessa função.

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, acusou na terça-feira o Governo de impor a “lei da rolha” aos serviços de proteção civil, por ter como “política primeira a da comunicação”.

O primeiro-ministro presidiu esta quarta-feira de manhã à cerimónia de homenagem ao afundamento do caça-minas Roberto Ivens que colidiu com uma mina alemã no dia 26 de julho de 1917 a cerca de 04 milhas náuticas a sul do forte do Bugio, na Barra do rio Tejo, Lisboa.

Podemos finalmente prestar a homenagem devida aos tripulantes“, disse o chefe de Governo na cerimónia militar em que estiveram presentes alguns familiares dos 15 tripulantes que desapareceram quando a explosão da minha fez afundar o navio, durante a I Guerra Mundial.

Cumprem-se cem anos deste momento trágico, é nosso dever e obrigação não permitir que sobre eles desça um manto de esquecimento”, acrescentou António Costa durante o discurso.

O primeiro-ministro disse também que cem anos volvidos após a Grande Guerra, Portugal já não está em guerra, “mas em paz” e que Alemanha não é um inimigo mas sim um aliado enquadrado numa Europa prosperidade tendo sublinhado, na ocasião, o papel dos militares portugueses.

Como há cem anos, como desde a fundação da nacionalidade, as nossas Forças Amadas aqui continuam e como sempre assegurando a independência e a integridade do território nacional. Ao honrar as memórias daqueles que pereceram ao serviço da pátria, elogiamos aqueles que continuam a servir a nossa nação”, afirmou.

Na cerimónia militar que decorreu na zona onde o caça-minas desapareceu, e contou com a presença corveta João Roby, além da fragata Bartolomeu Dias, foi lançada uma coroa de flores e foram disparados três tiros de salva.