O FBI encontrou na última sexta-feira um criminoso que já procurava há 37 anos, mas não foi a tempo de o prender. Donald Eugene Webb, acusado em 1980 de ter assassinado um agente da polícia, morreu em 1999 e estava, desde essa altura, enterrado no seu próprio jardim.

Durante duas décadas, viveu fugido das autoridades. Esteve durante 25 anos na lista dos dez criminosos mais procurados pelo FBI e a sua cabeça estava a prémio até hoje — 100 mil dólares era a recompensa para quem encontrasse Webb.

Mas, afinal, como é que um fugitivo conseguiu manter o FBI às cegas durante quase quatro décadas? A história começou a 4 de dezembro de 1980, quando Webb — que andava a ser procurado por roubo de joias — foi detido no meio de uma luta pelo chefe da polícia de Saxonburg Borough (Pensilvânia), Gregory Adams.

No meio da luta, Webb esfaqueou o polícia e matou-o com dois tiros à queima-roupa. Depois, fugiu. O carro de Webb viria a ser encontrado semanas mais tarde e as provas encontradas no veículo apontavam para a possibilidade de o fugitivo também estar ferido.

A 31 de dezembro, o FBI emitiu oficialmente um mandato de captura: começava ali uma jornada que só viria a terminar na semana passada. Se inicialmente encontrar Webb parecia uma tarefa relativamente fácil, uma vez que entre tatuagens, cicatrizes e roupas apelativas, era bastante identificável, as autoridades rapidamente esbarraram numa realidade mais confusa: o homem usava pelo menos nove nomes diferentes e tinha seis profissões distintas.

Webb simplesmente desapareceu do radar. A recompensa pela descoberta do criminoso chegou aos 100 mil dólares e as buscas estenderam-se a todo o país. Resultado? Nada. Em 2007, as autoridades resignavam-se e retiravam o nome da Webb da lista dos mais procurados.

Só na semana passada é que as autoridades foram conduzidas ao paradeiro de Webb quase por acidente: devido a um outro caso, a polícia efetuou buscas num conjunto de casas, incluindo na casa em que vive Lilian Webb, de 82 anos, a viúva de Donald Eugene. Durante as buscas, os agentes encontraram uma porta, no interior de um armário, que dava para um quarto secreto minúsculo, onde estava apenas uma bengala.

Terá sido ali que Webb se escondeu durante perto de duas décadas enquanto fugiu da polícia. Devido à descoberta da bengala, a viúva do polícia que Webb matou processou Lilian por ajudar um fugitivo — a bengala seria o derradeiro sinal de que Webb tinha ficado aleijado numa perna, comprovando as suspeitas da altura.

Lilian acabou por negociar um acordo: as autoridades deixavam cair a queixa contra a viúva e ela levava-os ao lugar onde tinha enterrado o cadáver do marido, que morreu em 1999. O corpo estava no jardim da casa onde ainda mora a viúva e a sua identidade foi confirmada esta segunda-feira, encerrando uma história com 37 anos.