Angola vai gastar mais de 100 milhões de euros de financiamento público para constituir um banco de peças sobresselentes para assegurar a manutenção de 21 centrais de produção de eletricidade em funcionamento no país.

A decisão, aprovada por despacho presidencial, refere a necessidade de contratação dos serviços de fornecimento e assistência técnica para a realização de revisões capitais e constituição de um banco de peças sobressalentes e de reposição, consumíveis, conjuntos de peças para manutenções planeadas e ferramentas, a utilizar em 18 centrais termoelétricas e três aproveitamentos hidroelétricos.

O despacho assinado pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, de 13 de julho e ao que a Lusa teve acesso esta quinta-feira, autoriza o Ministério da Energia e Águas a contratar a empresa AEnergia para o efeito, por 119.914.591 kwanzas (104 milhões de euros).

Angola enfrenta uma profunda crise financeira e económica desde finais de 2014, devido à quebra nas receitas com a exportação de petróleo, igualmente com efeitos cambiais, o que tem dificultado a importação, entre outros produtos, de peças e equipamentos industriais, dada a escassez de divisas.

O chefe de Estado angolano garantiu em outubro passado que o país vai contar com mais quase 3.600 MegaWatts (MW) de eletricidade a partir deste ano, tendo em conta os Projetos Estruturantes de Investimento Público aprovados durante o atual mandato. José Eduardo dos Santos discursava então na Assembleia Nacional, em Luanda, sobre o Estado da Nação, durante a sessão solene de abertura da quinta sessão legislativa da III legislatura, a última antes das eleições gerais de 2017, tendo enfatizado o “bom ritmo” na conclusão de três projetos de produção elétrica.

É o caso da conclusão da segunda fase da barragem de Cambambe, cujo alteamento entretanto concluído já garante uma potência adicional de 780 MW, face aos anteriores 180 MW, da construção da nova barragem de Laúca, também no rio Kwanza, em fase final de conclusão da primeira fase, com uma potência de 2.067 MW, bem como a construção da Central do Ciclo Combinado do Soyo, utilizando gás natural para gerar uma potência de 750 MW, também em fase de testes.

Este impressionante aumento da potência elétrica é associado ao esforço gigantesco que está a ser feito para aumentar a produção de água potável e do sistema de Telecomunicações e dos Transportes, para apoiar o desenvolvimento da produção e melhorar o acesso das famílias a esses bens, garantindo a transformação da estrutura económica nacional”, enfatizou José Eduardo dos Santos.

Com um forte défice de produção de eletricidade face às necessidades, o que leva a constantes constrangimentos no fornecimento, Angola enfrenta ainda a inexistência de redes para abastecer as zonas mais rurais e grande parte das cidades são abastecidas geradores a gasóleo ou gasolina.

O recenseamento da população realizado em 2014, cujos dados finais foram revelados no final de março último, concluiu que o acesso à rede de eletricidade é apenas garantido a 1,7 milhões de casas (31,9%), quase exclusivamente em zonas urbanas, já que na área rural apenas 48.173 agregados familiares são servidos. O estudo identifica que as lanternas são a segundo principal fonte de iluminação e servem mais de 1,752 milhões de famílias (31,6%) em Angola. Seguem-se em alternativa os candeeiros (14,3%) e os geradores (9,3%).