O presidente do Banco Central Europeu (BCE) admitiu esta quinta-feira que os governadores devem discutir o futuro dos estímulos quando os responsáveis da instituição se voltarem a reunir no outono, mas recusou, até ao limite, dar uma ideia de quando é que os estímulos à economia da zona euro podem vir a começar a desaparecer. Para já, os governadores não querem marcar datas para anunciar decisões, nem sequer terão pedido trabalho preparatório aos técnicos da instituição, disse Mario Draghi.

O conselho de governadores do BCE decidiu manter a dimensão do programa de compra de dívida pelo Eurosistema em 60 mil milhões de euros mensais e o seu fim previsto para o final do ano corrente, com o senão que este só terminará se a inflação já estiver a crescer ao nível esperado e se todas as condições exigidas pelo BCE estiverem cumpridas.

BCE mantém estímulos pelo menos até dezembro

Para já, garantiu Mario Draghi na conferência de imprensa que se seguiu à última reunião dos governadores antes do período de férias, o BCE nem sequer está a fazer trabalho técnico para preparar o fim dos estímulos, quanto mais pensar em marcar uma data fixa para falar do tema. Quando os governadores se reunirem no outono, o tema deverá voltar a ser discutido, admitiu o presidente da autoridade monetária.

“Há muita incerteza atualmente”

“Foi uma conclusão unânime: não marquem datas. Temos de pensar, temos de ter muito mais informação do que a que temos hoje, há muita incerteza atualmente. O conselho de governadores não quis ser forçado a tomar decisões sem ter toda a informação”, disse o presidente do BCE.

Mario Draghi defendeu-se, ainda, dos efeitos do seu discurso no recente encontro realizado em Sintra, que os mercados interpretaram como um sinal de que o final dos estímulos poderia estar mais próximo, argumentando que não disse nada de muito diferente daquilo que afirmou hoje e daquilo que havia dito no início de junho, em Tallin, capital da Estónia, durante a reunião descentralizada do conselho de governadores.

O presidente do BCE foi questionado pelos jornalistas sobre a discussão dentro do conselho em relação às decisões, numa altura em que os membros mais conservadores que querem o fim das medidas não convencionais provocam cada vez mais ruído, e respondeu argumentando que as decisões sobre a comunicação do futuro das taxas de juro e sobre não avançar com datas para tomar decisões foram ambas unânimes.

Mais reformas, menos défice

A mensagem de sempre, reforçada. A política monetária sozinha não chega e, sim, é verdade que a economia está a crescer, mas os países deviam estar a fazer mais em termos de reformas estruturais e essa falta de motivação nesse campo está a prejudicar o potencial de crescimento na zona euro.

“As perspetivas de crescimento económico continuam a ser prejudicadas pela lentidão na implementação de reformas estruturais, particularmente nos mercados de produto, e pelos ajustamentos que ainda continuam a ser feitos nos balanços em alguns setores”, disse o presidente do BCE. Mario Draghi disse que a implementação das reformas tem de ser acelerada substancialmente, para que as economias se tornem mais resistentes a choques, para que o crescimento potencial aumente e para que o desemprego estrutural diminua.

Outra mensagem habitual, num dia em que o vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo semestre europeu esteve na reunião como convidado, foi a da responsabilidade orçamental. Mario Draghi instou à “implementação transparente, consistente e em pleno do Pacto de Estabilidade e Crescimento”, que estabelece as regras orçamentais que os países da zona euro têm de cumprir, assim como o Procedimento dos Desequilíbrios Macroeconómicos “ao longo do tempo e em todos os países”. Os países, disse, devem conduzir as suas políticas orçamentais de forma responsável e mais amiga do crescimento.