O Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juro inalteradas e deu um sinal que o programa de compra de dívida pode continuar além de dezembro deste ano, data marcada para o seu término. Até a trajetória de inflação estar em linha com o objetivo do BCE, os estímulos vão continuar.

Não se esperavam grandes decisões sobre taxas de juro, e a reunião não desapontou. As principais taxas de juro vão continuar nos seus níveis historicamente baixos.

No entanto, no que diz respeito aos estímulos, os mercados esperam clarificações. Quando Mario Draghi esteve em Sintra para a conferência anual da instituição, o presidente do BCE fez um discurso otimista, onde antecipava a recuperação da economia europeia e onde via como temporários os efeitos que estavam a manter a inflação em níveis baixos.

Os mercados reagiram de imediato, vendo nestas palavras uma mensagem subliminar que o fim dos estímulos estaria à vista e o euro valorizou de imediato. No entanto, não era o que Draghi pretendia e, rapidamente, alguns responsáveis do BCE apressaram-se a desmentir a ideia que o fim dos estímulos estivesse à vista. Reação no dia seguinte? Mercados a cair.

No comunicado publicado esta quarta-feira, o BCE comunicou apenas as suas decisões: a taxa de juro para as principais operações de refinanciamento mantém-se estável em zero; a taxa de juro de depósitos continua negativa em 0,4%; o BCE continuará a comprar 60 mil milhões de euros em dívida por mês.

Mario Draghi explica-se, pela última vez antes das férias, numa conferência de imprensa às 13h30.