Os enfermeiros especialistas mantêm o protesto de zelo mesmo depois do parecer do conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) que dá razão ao Ministério da Saúde dizendo que estes profissionais podem ser responsabilizados disciplinarmente esperam que da reunião com a tutela saia um compromisso para resolver a situação.

Estes profissionais, especialistas em saúde materna e obstétrica, não prestam cuidados diferenciados nos blocos de parto desde 3 de julho, em protesto por um salário mais alto, condizente com a especialização.

PGR: Enfermeiros obstetras que recusem executar tarefas “podem ser responsabilizados disciplinarmente”

Em declarações à agência Lusa, Bruno Reis, do movimento Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (EESMO), disse valorizar a aproximação do Ministério da Saúde e que os enfermeiros vão aguardar pela reunião de segunda-feira entre a federação sindical e o ministro da Saúde.

Soubemos que a federação sindical foi clara para iniciar processo negocial claro e efetivo na segunda-feira e reconhecemos e valorizamos a abordagem do ministro, que quer resolver a situação”, disse Bruno Reis.

Esta quinta-feira foi divulgado o parecer pedido pelo Ministério da Saúde à PGR, que admite que os enfermeiros especialistas em protesto podem ser responsabilizados disciplinar e civilmente, bem como incorrer em faltas injustificadas.

O parecer reconhece que os enfermeiros especialistas têm legitimidade para defender os seus interesses remuneratórios, nomeadamente recorrendo à greve, mas ressalva que “a recusa de prestação de serviço dos enfermeiros com título de especialista não é enquadrável numa greve”.

A não prestação de serviço conduz a faltas injustificadas”, adverte o parecer da PGR.

Questionado pela Lusa sobre o parecer, Bruno Reis disse não ter tido acesso às perguntas feitas aquando do pedido de parecer, o que considerou limitador para fazer uma análise mais global da posição da PGR.

Contudo, sublinhou que os enfermeiros especialistas, analisando o parecer e a atitude da tutela, vão manter o protesto e aguardar que na segunda-feira possa sair um acordo de princípio com as respostas que estes profissionais têm pedido.

Vamos aguardar que na segunda-feira possa sair um acordo de princípio com as respostas que sempre pedimos”, afirmou Bruno Reis, acrescentando: “Após a reunião, o movimento vai refletir, ponderar e tomar as suas decisões em consciência com as tomadas de posição que sairão [da reunião] de segunda-feira”.