Foi dia de festa rija para os polacos, foi dia da festa possível para os franceses e foi dia de festa antecipada para um inglês, Chris Froome. Marselha engalanou-se para a penúltima etapa da Volta a França em bicicleta e viveu o dia de contrarrelógio como se fosse um jogo de futebol, ou não fossem a partida e a chegada no Stade Velódrome. Não ganhou quem os adeptos queriam, ganhou quem já se sabia que iria ganhar (e que foi melhor na forma como procurou essa vitória). Mas vamos por partes.

Foi dia de festa rija para os polacos. Porquê? Porque os dois primeiros classificados do contrarrelógio com pouco mais de 22 quilómetros foram dessa nacionalidade. Um, curiosamente o que ficou na segunda posição, já se sabia que era um dos favoritos neste tipo de etapa: Michał Kwiatkowski, vencedor da Volta ao Algarve em 2014 e várias vezes medalhado em Mundiais. O outro acabou por ser a grande surpresa do dia: Maciej Bodnar, que terminara os últimos Mundiais no quarto lugar e os Jogos Olímpicos na sexta posição (e que ganhara o prémio da combatividade na 11.ª etapa deste Tour), fez a prova em 28.15, menos um segundo do que o compatriota. Tony Martin, o homem de quem se esperava uma última palavra nesta edição, acabou no quarto posto, a 14 segundos.

Foi dia da festa possível para os franceses. Porquê? A imagem de Warren Barguil a chegar à linha da meta de sorriso nos lábios apesar de estar muito longe da vitória acabou por dizer tudo: não era agora que os franceses iam ganhar (Sylvain Chavanel, ainda assim, fez um bom contrarrelógio, acabando em décimo), era hora de celebrarem o que tinham ganho. E, no caso do corredor da Team Sunweb, foi muito: duas etapas e a vitória na classificação da montanha. Mas se o gaulês que há dois meses estava no hospital após uma fratura na anca foi ovacionado, houve também muitos aplausos para Romain Bardet: sem nenhuma hipótese por não ser um especialista neste tipo de etapa curta (quase foi ‘dobrado’ por Froome), conseguiu com muito esforço segurar o terceiro lugar na geral, com um segundo apenas a menos do que o espanhol Mikel Landa, outra das figuras deste Tour.

Foi dia de festa antecipada para um inglês, Chris Froome. Porquê? Porque o inglês acaba de confirmar virtualmente a vitória no quarto Tour da carreira, o terceiro consecutivo. Terminou o contrarrelógio na terceira posição, a seis segundos de Bodnar e a ouvir assobios por parte dos muitos adeptos franceses no Velódrome (uma rivalidade é sempre uma rivalidade…), mas deu mais uma prova de pragmatismo na concretização daquele que era o eu grande objetivo: o triunfo na classificação geral. E que acaba por ser histórico, pela forma como foi alcançado.

A Team Sky foi sempre a equipa mais forte ao longo do Tour e este penúltimo dia não fugiu à regra: dois dos três melhores na etapa (Kwiatkowski e Froome), Landa a ficar apenas a um segundo do pódio, vitória na classificação por equipas, à frente da AG2R La Mondiale. Mas o mais relevante foi mesmo o tri de Froome, que preferiu sempre olhar para uma floresta (triunfo final) e não para as 21 árvores (etapas). Com isso, o inglês tornou-se no sétimo vencedor do Tour sem ter ganho uma única etapa, sucedendo a Firmin Lambot (1922), Roger Walkowiak (1956), Gastone Nencini (1960), Lucien Aimar (1966), Greg LeMond (1990) e Óscar Pereiro (2006).

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