Com grande parte dos fabricantes automóveis de superdesportivos a aderirem à electrificação do automóvel, na maior parte dos casos optando pela hibridização dos motores de combustão, a Bugatti, referência entre os superdesportivos hiper-luxuosos, não podia ficar de fora. Quem o confirma é o próprio CEO da marca francesa, Wolfgang Dürheimer, em entrevista à britânica Autocar.

Com a companhia neste momento totalmente dedicada ao fabrico do impressionante Chiron, superdesportivo cuja produção deverá prolongar-se durante os próximos oito anos, Dürheimer não tem dúvidas de que “a electrificação vai mesmo acontecer”:

Embora o próximo carro esteja ainda longe de começar a ser desenvolvido, a forma como as baterias e os motores eléctricos têm vindo a evoluir – assim como os próprios regulamentos -, faz-nos dar como certo que o próximo automóvel [da Bugatti] será, de alguma forma, eléctrico. Não um eléctrico puro, acredito, mas sim com algum nível de electrificação.”

Segundo o mesmo responsável, “dificilmente voltará a haver um automóvel com nível de pureza nas capacidades mecânicas do Chiron”. Algo que, garante o alemão, torna o modelo “incrivelmente desejável”.

Recorde-se que o actual Chiron monta um renovado W16 8,0 litros quadriturbo a gasolina, a debitar uns incríveis 1.500 cv de potência às 6750 rpm e um binário máximo de 1.598 Nm logo a partir das 2.000 rpm. Números que, somados a um peso anunciado de 1.995 kg, garantem ao automóvel francês não só um impressionante rácio potência/peso de 751 cv por tonelada, como também uma capacidade de aceleração dos 0 aos 100 km/h em menos de 2,5 segundos, além de uma velocidade máxima anunciada de 420 km/h.

Em declarações à mesma revista, o CEO da Bugatti já havia reconhecido, ainda em 2016, que o fabricante chegou a pensar inicialmente na possibilidade de recorrer à solução híbrida, como forma de retirar do W16 a potência necessária para, simplesmente, eclipsar o antecessor Veyron. Só que, uma vez feito o trabalho de casa, bastou melhorar grande parte dos componentes que já faziam parte da anterior geração do propulsor, para conseguir o resultado pretendido.

Wolfgang Dürheimer no interior do Bugatti Chiron

Ainda sobre o futuro, Wolfgang Dürheimer revelou que a marca tem efectivamente planos para lançar um segundo modelo. Mas o risco de avançar já com iniciativa podia levar a um atraso no desenvolvimento da próxima geração do Chiron, o que terá levado os responsáveis reconsiderar. Pelo que, neste momento, a hipótese passa por adoptar uma estratégia de lançamento alternado de modelos, a qual deverá fazer com que o próximo modelo Bugatti chegue apenas por volta de 2024, enquanto a nova geração Chiron só dará a cara lá mais para 2032.

Estamos a tentar perceber o que os clientes querem, no caso de decidirmos fazer algo de diferente. Já temos algumas ideias”, adianta o mesmo responsável. “Mas não estamos pressionados no sentido de tomar qualquer decisão. A produção do actual Chiron deverá prolongar-se pelos próximos oito anos, sendo que, neste momento, estamos na fase de pré-desenvolvimento, a prepararmo-nos tecnicamente e a perguntar aos clientes sobre as suas expectativas.”

Com Dürheimer a recusar-se a avançar seja o que for sobre o tipo de veículo que poderá ser o segundo modelo da gama Bugatti, especialmente depois da marca ter dado a conhecer o protótipo Galibier, apresentado em 2009, certo é que, pelo menos para os tempos mais próximos, não faltará trabalho ao fabricante. Das 500 unidades previstas do Chiron, 280 têm já comprador destinado, sendo que as restantes, também não deverão ter dificuldades em seguir o mesmo caminho…