O novo diretor de comunicação da Casa Branca, Anthony Scaramucci, anunciou que apagou vários tweets com opiniões pessoais assim que chegou ao cargo. E percebe-se porquê. O Washington Post recuperou esses tweets, que demonstram que em matérias de imigração, controlo das armas ou alterações climáticas Scaramucci tem opiniões diametralmente opostas às do Presidente Donald Trump. E ainda há elogios a adversários do atual presidente dos EUA, como a democrata Hillary Clinton.

Scaramucci disse no sábado, 22, que, em nome de uma “transparência total”, e para não serem elementos de “distração” do seu novo trabalho, optou por apagar tweets antigos.

O novo diretor de comunicação de Trump disse, em entrevista ao programa Fox News Sunday, que os seus ideais “não importam” para o cargo que ocupa e que serão, naturalmente, “subordinados” ao que defende o Presidente Trump. Noutra entrevista, no “State of the Union”, da CNN, Scaramucci disse que uma das coisas que “odeia” em Washington é o facto de não ser permitido às pessoas mudarem de opinião. “Se eu for a favor de algo e depois mudar de opinião, então, de repente, sou hipócrita”, lamenta Scaramucci, lembrando que líderes como Winston Churchill ou Ronald Reagan mudaram de opinião várias vezes ao longo das respetivas carreiras políticas.

Os tweets que Scaramucci apagou foram recuperadod por outros utilizadores do Twitter:

https://twitter.com/jayrcastillo24/status/888483007010680832

Em dois tweets de 2012, um dos quais ainda não foi apagado, Scaramucci explica que sempre foi a favor de leis “fortes” de “controlo de armas”. Num outro, entretanto já apagado, o novo diretor de comunicação da Casa Branca está muito mais próximo de Barack Obama do que de Donald Trump: “Nós (EUA) somos 5% da população mundial, mas temos 50% das armas do mundo“, escreveu Scaramucci num tweet. Ou seja: é a favor do controlo das armas.

Scaramucci também elogiou o antigo governador republicano Mitt Romney em 2011 por ficar fora do “espetáculo de Trump” e classificou o ex-presidente da Câmara dos Representantes, Newt Gingrich (aliado de Trump) como um “tipo estranho”.

Há outros tweets que ainda estão na conta de Scaramucci, que vão, em parte, contra aquilo que defende a Administração Trump. Num tweet de 2012, o novo diretor de comunicação da Casa Branca assume-se defensor de causas liberais, dizendo que é favor do casamento gay, contra a pena de morte e a favor do aborto.

Há também elogios a Hillary Clinton, embora se tenha de recuar a 2012: “Eu gosto de Hillary. Temos de apoiar os melhores. É preciso dar a volta a isto”. Já em 2016, Scaramucci parece contradizer a política de Trump relativamente ao Islão, dizendo que a maioria dos muçulmanos vê o “Islão como uma religião de paz” e quer “viver em democracias multiraciais e multiétnicas.”

Houve também alturas em que criticou aqueles que — como Trump — negam os efeitos das alterações climáticas, como num tweet de 2016 em que defendeu: “É possível tomar medidas para combater as alterações climáticas sem prejudicar a economia. O facto de muitas pessoas ainda acreditarem que as alterações climáticas são uma fraude é desanimador “.

Scaramucci também escreveu, em 2015, contra o plano de Donald Trump de construir um muro ao longo da fronteira entre os EUA e o México: “Os muros não funcionam. Nem nunca vão funcionar”. E dava como exemplo disso o Muro de Berlim.

No mesmo ano, Scaramucci preferiu apoiar um outro candidato nas primárias republicanas, dizendo que as pessoas só precisavam de conhecer Jeb Bush e ainda atirava: “Será um grande Presidente”.

Ainda em 2015, numa entrevista na Fox Business Network, Scaramucci definiu mesmo Trump como um “bully” e afirmou que não gostava da forma como o então candidato falava sobre as mulheres. E disse ainda: “Eu digo-lhe do que é que ele vai ser presidente — e pode dizer a Donald que eu disse isso — da Associação de ‘bullies’ dos Condado de Queens“.

Scaramucci tem agora feito vários elogios a Trump em entrevistas concedidas a diversos órgãos de comunicação social. Na manhã de sábado, Donald Trump disse que Anthony Scaramucci o quis apoiar, ainda antes das primárias republicanas começarem, mas achou que o atual Presidente dos EUA não seria candidato.