O défice aumentou 264 milhões de euros na primeira metade do ano, uma subida que o Governo atribui ao aumento dos reembolsos antecipados de impostos como o IRS e o IVA, que garante que se irá dissipar até ao final do ano. Despesa estava a crescer 1,6%, mais que a receita.

De acordo com a síntese de execução orçamental dada a conhecer esta terça-feira, os reembolsos mantiveram-se em valores muito elevados em junho, 1.563 milhões de euros, um resultado explicado pela maior rapidez da máquina fiscal nos reembolsos de IRS e de IVA. Só em IRS, o fisco devolveu aos contribuintes 1.118 milhões de euros até ao mês de junho.

A receita fiscal caiu 220,2 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, com a maior queda a registar-se precisamente no IRS, onde os cofres do Estado arrecadaram menos 1082,9 milhões de euros. No total, o Estado perdeu 620 milhões de euros com receitas de impostos diretos.

A receita do IVA ainda compensou em parte esta perda, aumentando 247,3 milhões de euros na primeira metade do ano. A receita com o imposto sobre os produtos petrolíferos também cresceu 55,6 milhões de euros.

A despesa cresceu 1,6%, um ritmo superior ao da receita, registando um agravamento de quase 650 milhões de euros devido essencialmente a um aumento de 20,4% do investimento e de 5,3% da despesa com a aquisição de bens e serviços.

O setor da saúde é o maior responsável por este agravamento dos gastos devido, antes de mais, aos maiores custos do setor com pessoal – as despesas com pessoal subiram 2 pontos percentuais – devido à reposição salarial e ao aumento do número de efetivos no setor. Até maio, o Serviço Nacional de Saúde tinha mais 3.264 trabalhadores em maio, comparando com há um ano.

Também os custos com fornecimentos e serviços externos contribuíram para este aumento. A maior fatia foi para o aumento dos encargos com hospitais PPP, que subiram 22,8%, e com meios complementas de diagnóstico.