Nos últimos dias, várias unidades de teste do novo Nissan Leaf têm circulado em plena luz do dia, demonstrando que a marca nipónica estará já na fase final de desenvolvimento da segunda geração do eléctrico mais vendido no mundo. Esta exposição permitiu a olhares mais indiscretos dar uma espreitadela (literalmente) num desses veículos, precisamente quando este estava a recarregar as suas baterias numa estação de serviço.

As fotografias mostram que a unidade em causa teria já percorrido 5.133 km e, com a carga a 99%, exibia uma autonomia de 265 km. Parece pouco, certo? Sobretudo quando no mercado estão já rivais como o Opel Ampera-e, que anuncia 520 km de autonomia no ciclo NEDC. Ou o próprio Renault Zoe 40, com um alcance de 400 km, segundo o mesmo ciclo de homologação.

Ora, não será de esperar que a Nissan se tenha distraído com aquilo que é, precisamente, mais valorizado num eléctrico – a sua autonomia. A explicação deve ser encontrada na diferença que existe entre a autonomia real e a anunciada segundo as normas NEDC, pois também o Zoe em condições reais pode atingir um consumo médio de 13,5 kW por cada 100 km, o que permite ambicionar cerca de 300 km em condições reais de utilização. O mesmo acontece com o Ampera-e, com os especialistas a colocarem a fasquia abaixo dos 400 km para uma condução normal.

Ao afixar no painel de instrumentos uma autonomia de 265 km, o novo Leaf parece confirmar que pretende anunciar uma autonomia real próxima do Zoe 40, o que abre espaço para a possibilidade de a marca nipónica estar a planear vir a disponibilizar o novo Leaf – que, recordemos, é o eléctrico mais vendido no mundo – com dois tipos de baterias: uma de 40 kWh (que terá sido a fotografada) e outra de 60 kWh, essa sim que permitirá ao modelo aproximar-se da barreira dos 400 km.

A principal vantagem de disponibilizar duas baterias na gama Leaf é permitir à Nissan poder continuar a disputar a liderança do mercado, ao disponibilizar uma versão mais acessível do seu eléctrico para concorrer directamente com o Zoe 40 – que já é o eléctrico mais vendido na Europa –, enquanto a versão de 60 kWh permitirá ao Leaf enfrentar com armas iguais o Ampera-e da Opel.

Apesar de ter apresentação marcada para 6 de Setembro, o novo Leaf foi entretanto também apanhado pelos nossos colegas espanhóis com um motor eléctrico de 110 kW (150 cv) – o que, a confirmar-se no modelo de produção, permitirá à Nissan posicionar-se acima do Zoe, com os seus 92 cv.