Rui Silva, o presidente destituído da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários (APBV), foi identificado pela GNR esta manhã, em Pedrógão Grande, na sequência de uma denúncia por alegada “usurpação de funções”.

Uma fonte da comissão de gestão da APBV disse ao Observador que Rui Silva chegou a ser detido, mas a GNR de Leiria veio clarificar esta tarde que o presidente destituído da APBV “não foi detido, foi identificado para posterior inquérito decorrente de uma investigação”. Segundo a GNR de Leiria, também terá sido identificado o tesoureiro que formou direção com Rui Silva, que foi destituído na mesma altura.

A mesma fonte da comissão de gestão APBV avançou que Rui Silva procedia esta quarta-feira de manhã a uma entrega de donativos aos bombeiros de Pedrógão Grande em nome da associação e que a intervenção da GNR terá acontecido no decorrer dessa atividade. Nessa altura, Rui Silva encontrava-se alegadamente fardado sem autorização, informação que negou a outros órgãos de comunicação social.

Ao Observador, Rui Silva recusou-se a prestar esclarecimentos. Ao Notícias ao Minuto e ao Correio da Manhã, negou ter sido detido e garantiu estar em funções. “Tudo aquilo que é dito é falso”, disse ao Notícias ao Minuto. Trata-se de “uma acusação de que fui detido, não é uma coisa qualquer, porque eu não fui detido, também não fiz nada de mal, era o que mais faltava ser detido por exercer uma função que é legal”.

Se há alguma incorreção, e não estou a a dizer que há, o que a presidente da Assembleia tem de fazer é convocar novas eleições, não é tomar este tipo de atitudes. Esta é uma manobra meramente de afastamento porque sou inconveniente, é essa a minha interpretação, não há outra”, disse ao jornal

Bombeiros Voluntários. O presidente que já não o é

Um comunicado enviado pela comissão de gestão ao Observador esta quarta-feira dava conta da intenção de pedir “judicialmente a dissolução e liquidação da Associação” face a “momentos difíceis, mercê de situações que se prendem com a regularidade dos membros dos órgãos sociais.”

Em abril deste ano, a Presidente da Mesa da Assembleia Geral da APBV fez saber que Rui Silva continuava a exercer funções e a dar a cara pela associação, apesar de ter sido destituído em fevereiro por “irregularidades nas eleições” dos órgãos sociais da associação.

Em causa está uma Assembleia Geral, convocada (alegadamente sem legitimidade para isso) por Rui Silva, onde terão comparecido duas pessoas e sido aprovada a reeleição do bombeiro como presidente. A Presidente da Mesa anulou essa decisão, mas Rui Silva continuará a encabeçar publicamente a APBV.

Rui Silva já tinha sido colocado na reserva dos Bombeiros Voluntários de Vila do Conde por “não cumprir as horas mínimas de formação”, tinha confirmado ao Observador o Comandante dos Bombeiros de Vila do Conde. Além da carreira nos bombeiros, Rui Silva é fiscal da Câmara Municipal de Vila do Conde e terá sido candidato do CDS à Junta de Freguesia de Árvore, no mesmo município. Rui Silva negou ao Notícias ao Minuto ser candidato, mas a 5 de julho uma fonte da concelhia do CDS confirmou a candidatura e o apoio do partido.

Notícia atualizada às 16h, com a informação de que Rui Silva foi identificado pela GNR, mas não detido.