O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, avisa os EUA de que a União Europeia está pronta para reagir “em poucos dias” caso as sanções à Rússia aprovadas ontem no Congresso norte-americano coloquem em risco a segurança energética da Europa. A Câmara de Representantes nos EUA aprovou, de forma clara, a aplicação de novas sanções à Rússia, algo que poderá penalizar as operações de várias empresas europeias.

“A proposta de lei [aprovada nos] EUA pode ter consequências inesperadas, unilaterais, que podem ter impacto para os interesses europeus ao nível da segurança energética”, afirmou Juncker numa declaração após uma reunião de comissários europeus.

Citado pela Reuters, Juncker afirmou que “a Comissão concluiu, hoje, que se as nossas preocupações não forem tidas em conta, de forma suficiente, estamos prontos para reagir em poucos dias”.

A América em primeiro não pode significar Os interesses da Europa em último lugar“, diz Juncker.

Salientando que a UE está “totalmente comprometida com as sanções ao regime russo”, o líder do executivo comunitário salientou que, se as preocupações europeias não forem tidas em conta, Bruxelas está pronta para “agir em conformidade numa questão de dias”.

A lei aprovada pela Câmara dos Representantes, considerou a Comissão, “prevê a imposição de sanções a qualquer empresa (incluindo europeia) que contribua para o desenvolvimento, manutenção, modernização ou reparação dos oleodutos e gasodutos utilizados para exportações pela Federação Russa”.

Para Bruxelas, esta decisão “pode afetar a infraestrutura que transporta recursos energéticos para a Europa, por exemplo, a manutenção e melhoria dos gasodutos que alimentam o sistema de transporte de gás através da Ucrânia”.

Em causa poderá estar também projetos como o gasoduto do Báltico.

Bruxelas alertou ainda para o facto de, na reunião do G7 em maio, ter sido reiterado que qualquer aprovação de novas sanções teria de ser acordada entre aliados, tendo já levantado a questão através dos canais diplomáticos.

A Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos adotou na terça-feira, por maioria, novas sanções contra a Rússia, um projeto lei que provocou reações em Moscovo e em vários países da Europa, porque a proposta permite também sancionar empresas europeias.

A votação na câmara baixa do Congresso foi de 419 a favor do agravamento das sanções, com apenas três contra. Em junho, um projeto similar foi aprovado no Senado por 98 votos contra apenas dois.