Durante anos, a Apple desenvolveu o seu projecto Titan, que levaria a empresa de Silicon Valley a entrar em competição com os fabricantes de automóveis já implantados no mercado. É claro que o objectivo dos criadores do iPhone, iPad e companhia passava por associar ao veículo de quatro rodas a mesma visão inovadora que tão bem lhes serviu nas outras indústrias, nomeadamente nas telecomunicações e entretenimento.

Por outras palavras, a Apple não pretendia apenas fabricar carros, mas sim produzir veículos diferentes, eléctricos e autónomos, e a sua entrada no mercado iria acontecer precisamente no momento em que estas novas soluções e sofisticadas soluções iam igualmente surgir de forma massificada, colocando todos os fabricantes – os velhos e os recém-chegados – em igualdade de condições, eliminando o efeito antiguidade, o que logicamente favorecia a companhia californiana.

Mas depois a Apple, que é capaz de adquirir com dinheiro “de bolso” qualquer construtor mundial, face aos lucros que acumula anualmente, assustou-se perante a baixa rentabilidade – e os períodos de “seca” em que somam prejuízos – dos construtores tradicionais, que no limite e num bom ano “ganham” 8% sobre a facturação, contra 30 ou 50% das empresas tecnológicas. E abandonou o Titan.

A novidade é que se o CEO da Apple, Tim Cook, anunciou que em vez de fabricar automóveis, a sua empresa se iria concentrar em Inteligência Artificial e em sistemas de condução autónoma, o homem da Morgan Stanley vem agora defender que “a Apple tem mais sucesso, comercial e não só, quando integra verticalmente o mercado, controlando hardware e software e criando uma plataforma”, tudo indicando que o criador do iPhone poderá repensar o projecto Titan, ou como construtor de um tipo de automóvel muito especial, tipo iPhone ou iPad, ou, em alternativa, lançando uma plataforma para terceiros, o que em termos práticos significa criar um veículo que alguma outra empresa possa explorar como aluguer de carros sem condutor, por exemplo.