“Exército de um Homem Só”

Dizer que Nicolas Cage tem uma das piores interpretações dos últimos tempos em “Exército de um Homem Só”, de Larry Charles, é dizer muito, porque más interpretações de Nicolas Cage nos últimos tempo são a tostão a dúzia. Aqui, ele personifica Gary Faulkner, um excêntrico ultra-patriota do Colorado que em 2010 decidiu ir sozinho para o Paquistão, armado com uma espada de samurai, capturar Osama Bin Laden, depois de ter tido visões em que Deus lho ordenava, e que durante algum tempo fez as delícias da comunicação social dos EUA. Larry Charles, um dos criadores de “Seinfeld” e “Doido por Ti” e realizador de “Borat”, estampa-se ao comprido com esta farsa pseudo-satírica insondavelmente imbecil, em que o ponteiro do riso nunca sai do zero e o ponteiro da perplexidade esbugalhada atinge o limite. Se “Exército de um Homem Só” fosse um restaurante, era encerrado de imediato pela ASAE, por não cumprir as normas mínimas de higiene. É um filme tão mau, que exerce sobre o espectador o mesmo fascínio mórbido de um horrível acidente rodoviário sobre o automobilista que sabe que não deve abrandar para ver e sim seguir caminho, mas não resiste a parar e ficar a olhar, tal a dimensão do desastre. Para o qual contribui, e muito, a prestação histérico-destrambelhada de um outrora apenas exuberante actor chamado Nicolas Cage.

“Olha que Duas”

Há 15 anos, desde “As Manas Rock”, onde contracenava com Susan Sarandon, que Goldie Hawn não fazia um filme. Ei-la de regresso nesta comédia de Jonathan Levine, onde contracena com uma actriz cómica da nova geração, Amy Schumer, formada na dura escola do “stand up”. Vimo-la recentemente em “Descarrilada”, de Judd Apattow (2015), de que foi também a autora do argumento. Schumer interpreta Emily Middleton, uma mulher que apesar de ter sido enganada pelo namorado e despedida do emprego, está decidida esquecer as mágoas e a gozar as suas férias “exóticas” no Equador. E convence a sua temerosa e ultra-cautelosa mãe, Linda (Goldie Hawn) a acompanhá-la, com a promessa de que tudo correrá bem e irão ambas passar uns dias de sonho. Uma vez no Equador, Emily e Linda são enganadas por um homem charmoso que conhecem num bar, leva-as a ver a vistas na selva e rapta-as para pedir resgate. Mãe e filha conseguem fugir aos seus captores, mas não fazem a menor ideia onde estão e acabam por ir parar à Colômbia. A confusão não cessa só porque mudaram de país, já que se perdem uma da outra durante a fuga. Joan Cusack e Christopher Meloni completam o elenco de “Olha que Duas”.

“Valérian e a Cidade dos Mil Planetas”

O realizador francês Luc Besson concretiza um velho sonho: adaptar ao cinema as aventuras dos heróis de banda desenhada Valérian e Laureline, protagonistas da histórica série de álbuns de ficção científica criada pelo desenhador Jean-Claude Mézières e pelo argumentista Pierre Christin, faz agora 50 anos, nas páginas da revista “Pilote”. O filme, o mais caro já feito em França, na Europa e na história do cinema independente (custou cerca de 200 milhões de euros), é também o primeiro passo na criação de uma “franchise” de peso e longa duração, como as que dominam agora a indústria cinematográfica americana (“Guerra das Estrelas”, os filmes de super-heróis da Marvel e da DC, a série dos “Avatar” de Cameron), só que feita no Velho Continente e sem dinheiro dos grandes estúdios de Hollywood. Necessariamente, “Valérian e a Cidade dos Mil Planetas” é falado em inglês e a maior parte dos actores principais são americanos e britânicos, de Clive Owen a Ethan Hawke (o excêntrico elenco conta até com Herbie Hancock no ministro da Defesa interplanetário e Rihanna numa alienígena polimorfa e dançarina de varão). O americano Dane DeHaan interpreta Valérian e a inglesa Cara Delevingne é Laureline. “Valérian e a Cidade dos Mil Planetas” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.