O Ministério da Agricultura responde às críticas de falta de ação que os autarcas de Mação têm dirigido nos últimos dias aos governantes dos últimos anos, na área da Agricultura: “São críticas que só poderão merecer compreensão à luz da recente tragédia que assolou um concelho cujos dirigentes autárquicos consideravam um modelo de ordenamento da floresta”.

O gabinete de Capoulas dos Santos tinha sido questionado pelo Observador há dois dias, quando o vice-presidente da Câmara de Mação, António Louro, veio lembrar os avisos que fez nos últimos 16 anos, garantindo que a autarquia os levou até ao poder central, “a pedir ajuda a todos os secretários de Estado das florestas, a todos os ministros da Agricultura. Porque tínhamos a certeza que este dia ia voltar”. No período temporal referido por António Louro, o atual ministro esteve na pasta por duas vezes (entre 2001 e 2002 e, agora, desde novembro de 2015) mas o gabinete do ministro diz, nas respostas enviadas agora ao Observador, que nesse período “não foi apresentada qualquer queixa” por parte do concelho.

O concelho-modelo no combate aos fogos ardeu. O que falhou?

“Recebeu apenas uma carta do município de Mação, datada de 29 de junho último, dando nota do interesse do Município em ser integrado na experiência–piloto de ordenamento florestal que será implementada na zona afetada pelos grandes incêndios da Região Centro, que ocorreram entre os dias 17 e 24 de junho”, respondeu o Ministério da Agricultura. Também confirma que já por duas vezes o ministro “teve oportunidade de se encontrar com os representantes da Câmara Municipal de Mação”: no Dia da Floresta de 2016 e no seminário do Conselho Económico e Social, também em Mação, em março.

Já quando confrontado com as críticas que foram feitas, relativas à falta de ação dos governantes, o Ministério diz que as compreende “à luz da recente tragédia” no concelho de Mação que, sublinha, “os dirigentes autárquicos consideravam um modelo de ordenamento da floresta”. Mação tem sido apontado como um “modelo” em matéria de Proteção Civil e o próprio Governo o reconheceu quando escolheu a Zona de Demonstração de Boas Práticas Florestais da Caldeirinha, em Mação, para celebrar o Dia Internacional da Floresta, em 2016.

O Ministério responde ao que foi dito pelos dirigentes de Mação sobretudo com a Reforma da Floresta — cujas propostas que faltavam acabaram de ser aprovadas pelo Parlamento — “que espera que venha a promover o ordenamento da floresta nacional, tornando-a economicamente rentável e ambientalmente sustentável, começando, naturalmente, por criar as condições para que se reduzam os incêndios florestais e desagravem as respetivas consequências”. E argumenta que esta reforma “contempla soluções legislativas aplicáveis a todo o país e, por maioria de razão, aos concelhos com maior área florestal, como é o caso de Mação”.