Perivaldo Lúcio Dantas, antigo jogador da seleção brasileira que viveu 24 anos em Portugal, alguns deles na rua e em albergues, morreu esta quinta-feira no Rio de Janeiro, aos 64 anos, vítima de uma pneumonia.

Lateral-direito, Perivaldo, conhecido também como Peri da Pituba, começou a sua carreira em 1973, no Itabuna. Depois, foi jogar para o Bahia, onde jogou até 1976. No ano seguinte, passaria a jogar no Botafogo — onde esteve até 1982, naqueles que foram os seus melhores anos.

Foi nessa altura que teve duas internacionalizações pela seleção brasileira, jogando ao lado de jogadores como Zico, Júnior, Falcão e Sócrates, seu colega de quarto. Ficou conhecido por evitar, em cima da linha, um golo num jogo contra a então seleção da Checoslováquia. Seguiram-se outros clubes, como o São Paulo, Palmeiras e Bangu, onde Perivaldo foi perdendo forma. Enfim, jogo no Yukong Elephants, na Coreia do Sul, onde terminou a sua carreira em 1987.

Em 1989, mudou-se para Portugal com a esperança de poder ainda jogar futebol. Sem sucesso, e à medida que as suas poupanças desapareciam, entregou-se a vários trabalhos, desde confeção e venda de sandes à construção civil. Nos seus últimos anos em Lisboa, depois de uma relação gorada, Perivaldo chegou a viver na rua e em albergues para sem-abrigo. Vendia na Feira da Ladra, em Lisboa, como modo de subsistência.

Foi nesta fase da sua vida, já depois dos 60, que Perivaldo foi descoberto ao acaso. O humorista Nilton interpelou-o no Rossio, em Lisboa, para uma rábula. Na altura, não sabia quem era. Só depois de o vídeo ser publicado é que foi informado que o homem que aparecia no vídeo era Perivaldo, antigo jogador da seleção brasileira. Seguiu-se novo vídeo, desta vez com o ex-Botafogo devidamente identificado. Foi o suficiente para que os media brasileiros e portugueses despertassem para a história do antigo jogador, acabando por precipitar um desfecho para a sua história em Portugal. Corria o ano de 2014.

Alfredo Sampaio, presidente do Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (SAFERJ), viajou até Lisboa com o compromisso de ajudar Perivaldo a regressar ao Brasil e a conseguir um emprego no sindicato. Perivaldo regressou prontamente ao Brasil, em ano de Mundial, e viria a ser funcionário do SAFERJ até aos seus últimos dias.