Incêndios

Bióloga Helena Freitas considera que combate a fogos “bateu no fundo”

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A académica Helena Freitas aponta o "descrédito, desencanto e insegurança" dos cidadãos em relação ao território, que só se inverterá com "uma alteração profunda da floresta".

NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

A académica Helena Freitas considera que Portugal “bateu no fundo” ao falhar no combate aos grandes incêndios deste verão, apontando o “descrédito, desencanto e insegurança” dos cidadãos em relação ao território, que só se inverterá com “uma alteração profunda da floresta”.

Mais de um mês após o incêndio de Pedrógão Grande, que fez 64 mortos e “marcará para sempre o país”, a bióloga regista que o fogo continua “avassalador” em casos como o incêndio que na semana passada começou na Sertã e dr alastrou a Proença-a-Nova e Mação, “onde havia uma situação exemplar de prevenção”.

“O problema só se pode resolver com uma alteração profunda da floresta”, que inverta o “quadro de abandono e desordenamento grave e profundo” do interior, afirmou a especialista, que espera que surja “um compromisso político sério” para essa mudança.

Helena Freitas indicou que sinais como o diploma do cadastro florestal, integrado no pacote da reforma das florestas, “vêm ajudar”, mas o reforço do combate e prevenção anunciado desde Pedrógão Grande “não foi eficaz”.

“É dramático, não há dia em que não se veja nas notícias um incêndio de grandes dimensões”, lamentou, afirmando que há “uma sensação de total descrédito, desencanto e insegurança dos portugueses em relação ao seu território”.

Circunstâncias como a situação de seca e o clima são determinantes, mas o abandono que marca o interior do país, a “incapacidade de resolver o desordenamento do território” e a insistência em contar só com o combate aos fogos são sinais de que em Portugal se têm feito “as piores escolhas”, considerou.

O preço dessas decisões é haver fogos de grandes dimensões como os que têm assolado o centro do país, indicou, acrescentando que é ao Estado que se devem exigir medidas para solucionar essa “situação insuportável”.

“Continuamos a ver pessoas obrigadas a fugir de suas casas, casas queimadas”, disse, argumentando que não é a populações cada vez mais reduzidas e envelhecidas que se pode pedir a vigilância e a manutenção das florestas.

Helena Freitas defende que é preciso regressar “às pessoas que façam a vigilância na floresta”, os guardas e sapadores florestais.

“Outros países com clima mediterrânico”, como França, Itália e Espanha, conseguiram ser mais eficazes no combate aos incêndios e reordenar o seu território.

Reportando-se aos anos de 2003 e 2005, em que “ardeu 10% da floresta” em Portugal, a docente da Universidade de Coimbra considerou que “este ano ainda pode ser pior”.

Para alterar a composição da floresta, é preciso deixar de “dizer que a única fonte de rendimento para a pequena propriedade é o eucaliptal”, defende.

“Eu não acredito nisso”, declarou, sugerindo que é a indústria da madeira e do papel que tem que fazer render o eucalipto e que há espaço para investir em espécies de árvores autóctones.

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