Sindicatos e Ordem dos Médicos estiveram reunidos esta tarde e decidiram não baixar as armas. Sob ameaça de nova greve, primeiro o bastonário e depois os dois sindicalistas (do Sindicato Independente dos Médicos e da Federação Nacional dos Médicos) deram um prazo ao ministro da Saúde para resolver alguns dos problemas da classe.

Caso as negociações não se traduzam, a curto prazo, em resultados inequivocamente positivos, as organizações sindicais médicas estão preparadas para desencadear os adequados mecanismos legais de convocação de uma nova greve nacional dos médicos”, afirmou Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, durante uma conferência de imprensa depois da reunião, desta terça-feira, do Fórum Médico.

Instado pelos jornalistas a balizar o “curto prazo”, Miguel Guimarães especificou que “o curto prazo é durante o mês de agosto”, explicando que “já demos à tutela várias oportunidades de resolver alguns dos grandes problemas que afetam o Serviço Nacional de Saúde. Até agora nenhum foi verdadeiramente resolvido”. “Se nos reportarmos à última greve o único resolvido na altura foi a questão do pagamento da horas extra a 75%, nem sequer a 100%. Todos os outros pequenos aspetos e os grandes aspetos não foram de facto resolvidos. Ou o senhor ministro assina um compromisso com as estruturas sindicais e Ordem para resolver alguns destes problemas” ou os médicos repetem a paralisação.

Miguel Guimarães aproveitou ainda para descrever o SNS como estando em “decadência” e apontar as “desigualdades” existentes em termos de acesso aos cuidados de saúde em Portugal.

O presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) reforçou a posição do bastonário, lembrando que “estamos a falar de situações em que andamos em negociações há mais de um ano”.

Há uma falta de palavra do Ministério da Saúde e uma falta de confiança”, acusou Roque da Cunha.

Data para a eventual greve ainda não há, nem os participantes do Fórum Médico pensaram ainda nisso, garantem. “A reunião [com o Ministério da Saúde] de 11 de agosto do ponto de vista do plano negocial assume uma importância do tudo ou nada”.

Se dia 11 sairmos do Ministério sem a resolução integral dos problemas que determinaram a convocação da greve em maio, não podemos ter outra atitude se não equacionar e articular uma nova greve. Não existe nenhuma data neste momento, nem era credível avançarmos já uma data quando estão ainda pendentes procedimentos”, clarificou Mário Jorge Neves, da Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

Governo promete apresentar posição negocial ainda esta semana

Esta posição conjunta foi anunciada horas depois de o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, ter dito, à margem da apresentação pública sobre o novo Hospital de Lisboa Oriental, que o Governo está a estudar as reivindicações colocadas pelos sindicatos e que “ainda esta semana” as organizações serão informadas sobre a “posição negocial” do Estado.

“Estamos a estudar o caderno reivindicativo que se consubstancia no essencial em três questões: as horas extraordinárias, o número de utentes por médico de família, e a carga horária semanal das horas de urgência. Estes três temas estão a ser estudados pelo Governo, no sentido de apresentar ainda esta semana aos sindicatos a nossa posição negocial sobre a matéria”, adiantou o governante.