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Privacidade Online

O browser em modo anónimo afinal não é assim tão “anónimo”

Dois investigadores alemães descobriram que a opção de navegação em modo privado deixa um rasto que permite desenhar o perfil do utilizador e, até, revelar a sua identidade.

Os investigadores fizeram-se passar por uma empresa de marketing falsa para conseguir obter dados pessoais

Getty Images

A navegação em modo “incógnito” pode não ser tão privada como parece. Foi o que dois investigadores alemães descobriram, depois de terem conseguido aceder ao histórico de navegações anónimas de quase três milhões de alemães, incluindo um juiz e um político.

O que é a navegação anónima?

Navegação anónima – ou em “modo incógnito” – é aquela que, supostamente, não deixa registos de atividade, tais como o histórico, os dados submetidos em formulários ou o rasto que é deixado nos sites que visitamos em modo “normal” – geralmente designados por cookies.

Desde um histórico de pornografia do juiz ou dados médicos do político alemão, os investigadores conseguiram ainda aceder a vários dados pessoais dos utilizadores. Alguns tinham deixado tanto rasto que permitia seguir passo a passo toda a sua “pegada” digital e chegar à sua identidade.

A descoberta foi revelada em Las Vegas, numa apresentação dedicada a hacking informático, a Def Con. O objetivo era mostrar a facilidade com que as empresas conseguem ter acesso a estes dados e como essa recolha é usada para fazer chegar certos patrocínios e publicidade aos utilizadores — o que acontece explicitamente sempre que fazemos uma pesquisa, em modo “normal”, num motor de busca ou numa rede social.

A recolha foi feita em nove milhões de páginas web diferentes e obtida sob o disfarce de uma empresa de marketing falsa, com página na Internet e perfil de LinkedIn incluídos. Com a empresa criada, os investigadores solicitaram a uma centena de empresas dados em bruto dos utilizadores. Segundo a BBC, 95% desses dados foram obtidos através de 10 extensões (no browser) muito conhecidas. Depois de cruzados os dados, foi possível perceber o rasto dos utilizadores, desde as pesquisas que eram feitas até às compras online. Algumas ligações até reencaminhavam para as redes sociais dos próprios utilizadores, revelando a sua identidade.

Svea Eckert, um desses investigadores, apontou a “ilegalidade” desta vulnerabilidade. Já Andreas Dews, acrescentou que “a informação pública disponível sobre os utilizadores está a crescer”, o que significa uma maior perda de anonimato na Internet, tal como uma maior dificuldade em passar despercebido na rede. Os dois investigadores contaram ainda que, terminada a pesquisa, eliminaram todos os dados que tinham angariado, até porque eles próprios receavam ser pirateados.

À partida, quando um utilizador acede a um navegador em modo incógnito (ou janela incógnita), a premissa é a de que nenhuma informação será gravada. Esta investigação veio provar exatamente o contrário.

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