O Governo angolano vai entregar a operação e manutenção de três barragens aos brasileiros da Odebrecht, por mais de 830 milhões de euros, conforme despacho do Presidente, José Eduardo do Santos, de 1 de agosto.

Segundo o documento, a que a Lusa teve acesso esta sexta-feira, o contrato com a construtora brasileira prevê a “operação e manutenção” das centrais hidroelétricas de Cambambe e de Laúca – que a Odebrecht construiu este ano -, bem como de Capanda, todas no rio Kwanza. Inclui ainda a modernização da barragem de Capanda, inaugurada em 2005, após 18 anos de construção por um consórcio que envolveu empresas russas e também a própria Odebrecht.

A operação e manutenção das três centrais, incluindo ainda a modernização de Capanda, vai “proporcionar maior segurança e estabilidade na produção e fornecimento de energia elétrica, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento económico e social do país”, lê-se no despacho assinado por José Eduardo dos Santos, autorizando o contrato. Este negócio com a Odebrecht está avaliado em 993,4 milhões de dólares (836,8 milhões de euros), segundo o despacho presidencial.

O Presidente angolano é esperado em Laúca esta sexta-feira, na província angolana de Malanje, para inaugurar aquela barragem, considerada a maior obra pública de Angola e a última grande empreitada de José Eduardo dos Santos enquanto chefe de Estado.

O Aproveitamento Hidroelétrico de Laúca, no rio Kwanza, produz desde julho, em fase de testes, 334 MegaWatts (MW) de eletricidade, com a primeira de seis turbinas. Trata-se de uma obra a cargo da construtora Obebrecht, que ainda subcontratou várias empresas de origem portuguesa, casos da Somague Angola, Teixeira Duarte, Epos, Tecnasol e Ibergru, com mais de 250 trabalhadores.

Localizada entre as províncias do Cuanza Norte e Malanje, aquela barragem foi encomendada pelo Estado angolano por 4,3 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros), envolvendo financiamento da linha de crédito do Brasil, movimentando cerca de 9.000 trabalhadores. A barragem será a última grande obra pública inaugurada por José Eduardo dos Santos, no poder em Angola desde 1979, e que não se recandidata ao cargo nas eleições gerais de 23 de agosto.

Desde 11 de março – na altura também na presença do chefe de Estado angolano -, que o enchimento em Laúca condicionou a operação nas restantes barragens já instaladas no rio Kwanza, devido ao reduzido caudal, limitando o fornecimento de eletricidade da rede pública a Luanda, por norma, a poucas horas por dia. Em quatro meses está previsto que a barragem de Laúca atinja a quota 830, equivalente a uma albufeira com um volume de água de mais de 2.500 milhões de metros cúbicos, sendo por isso a maior em Angola.

O enchimento da barragem de Laúca só terminará em 2018, com a elevação até à quota 850, completando o reservatório na sua totalidade e permitindo a entrada em funcionamento das seis turbinas que estão instaladas e uma produção de cerca de 2.070 MW de eletricidade, mais do dobro da capacidade das duas barragens – Cambambe (960 MW) e Capanda (520 MW) – já em funcionamento no rio Kwanza.