O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, advertiu, este sábado, durante uma reunião com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, sobre as tentativas dos Estados Unidos em eliminar o acordo nuclear.

“O Presidente Donald Trump tenta eliminar o Plano integral de ação conjunta [JCPOA] e fazer com que o Irão pague o preço. A Europa deve estar vigilante”, disse Zarif, citado num comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros.

O acordo, assinado em 2015 pelos Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França, Alemanha e Irão, limita as capacidades atómicas iranianas no seu alcance e duração, em troca do levantamento das sanções internacionais.

Na semana passada, Washington impôs novas sanções contra Teerão pelo seu programa de armamento e o seu apoio a grupos xiitas, como o Hezbollah libanês, o que o Irão considerou uma violação do acordo nuclear.

O chefe da diplomacia iraniana insistiu que a administração norte-americana está a tentar impedir que o Irão beneficie do conteúdo do acordo.

Mogherini assinalou, por sua vez, que a aplicação do JCPOA é vantajoso para o Irão e para a comunidade internacional e reafirmou o apoio da União Europeia (UE) ao acordo.

“A posição da UE sobre o tema é muito clara”, disse Mogherini, que apelou às partes para adotarem medidas “prudentes e proporcionadas”.

A chefe da diplomacia europeia também manteve conversações com o Presidente iraniano Hassan Rohani, que hoje tomou posse para um segundo mandato, com o líder iraniano a assinalar que a UE “tem uma grande responsabilidade” em garantir que todas as partes cumpram o JCPOA.

O Presidente assegurou que o Irão respeitará os seus compromissos com o acordo nuclear desde que não seja violado por alguma das partes, numa alusão aos Estados Unidos e às suas novas sanções.

Rohani afirmou, ainda, que o Irão e a UE promoveram “passos positivos para reforçar a cooperação” durante o seu primeiro mandato e manifestou-se pelo reforço desta relação.

Nesse sentido, acrescentou que os laços económicos, bancários e comerciais devem estar operacionais “rapidamente”, no âmbito do acordo.

A alta representante da UE para os Assuntos externos assistiu hoje à cerimónia de investidura de Rohani, reeleito para um segundo mandato em maio com 57% dos votos.