As principais cidades da África do Sul registam, desde as primeiras horas desta terça-feira, protestos, alguns dos quais com graves distúrbios, relacionados com a moção de censura ao Presidente, Jacob Zuma.

Em Joanesburgo, um grupo de manifestantes — que a polícia não conseguiu confirmar se defende ou se está contra Jacob Zuma — cortou a circulação em várias ruas, incendiando pneus e colocando pedras na estrada.

Os protestos, que se espalham pela cidade, “parecem coordenados”, afirmou a porta-voz da Polícia Metropolitana de Joanesburgo, Edna Mamonyane.

Na Cidade do Cabo, sede da Assembleia Nacional (parlamento), onde os deputados sul-africanos se vão pronunciar, por voto secreto, sobre a moção de censura, são esperadas manifestações com mais de 25 mil participantes — em defesa e contra Jacob Zuma.

Na capital da África do Sul, Pretória, é antecipado um cenário idêntico, com as autoridades a advertirem que os protestos vão provavelmente restringir a circulação dos transportes públicos.

Esta será a primeira vez que os deputados sul-africanos exercem voto secreto numa moção de censura contra Zuma, que foi já submetido a seis. Na sessão, que tem início às 14h00 (13h00 em Lisboa), os partidos da oposição vão secundar a moção, restando a dúvida relativamente à posição que vai ser adotada por alguns deputados da formação no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês).

Zuma, de 74 anos, encontra-se envolvido numa série de escândalos político-financeiros que tornaram públicas divisões dentro do ANC, que está agora preocupado com as consequências eleitorais desta atmosfera nefasta. Se a moção for aprovada, o Presidente e o Governo deverão demitir-se. Para que a votação seja vinculativa deve obter maioria absoluta, ou seja, os votos de 201 dos 400 deputados do parlamento, onde o ANC tem uma confortável maioria de 249 assentos.