Por enquanto, impotente para contrariar o êxito que a vizinha e rival Bentley tem vindo a ter com o primeiro SUV da sua história, o Bentayga, o CEO da Rolls-Royce, Torsten Müller-Ötvös, não perdeu a oportunidade de disparar umas farpas na direcção do fabricante de Crewe. Garantindo que o futuro (e primeiro) crossover de luxo com o Spirit of Ecstasy no capot não será construído segundo o mesmo princípio do rival, um Audi “Q7 camuflado”.

Entrevistado pela Automotive News Europe, numa altura em que a marca que lidera continua a desenvolver o modelo conhecido, para já, pelo nome “Projecto Cullinan”, Müller-Ötvös não se mostrou nada meigo nas palavras em relação ao rival. “Nós não usamos plataformas fabricadas em massa”, uma vez que “isso limita aquilo que poderemos fazer em termos de design, além de penalizar fortemente a exclusividade”, salientou.

Não queremos uma espécie de [Audi] Q7 camuflado neste segmento, mas sim um verdadeiro Rolls-Royce”, sentencia o mesmo responsável.

Torsten Müller-Ötvös

Precisamente com esse propósito, o CEO revela que o futuro crossover do fabricante de Goodwood utilizará não uma plataforma importada do Grupo BMW (a que a marca pertence), mas a mesma plataforma de alumínio dada a conhecer há dias, com a nova geração Phantom. E que, ao que diz, está previsto ser utilizada apenas nos futuros modelos Rolls-Royce, permitindo-lhes manter a devida distância das restantes propostas e marcas do grupo alemão.

Parece que a rivalidade Rolls/Bentley vai continuar “acesa” até que o Cullinan (na foto) os separe. O SUV da Rolls-Royce deverá ser apresentado em 2018

Já quanto ao posicionamento, a marca de luxo britânica prefere não qualificar o Culllinan como um SUV ou crossover, descrevendo-o apenas como um “veículo todo-o-terreno, com um aspecto alto quando visto de frente”.

Torsten Müller-Ötvös garantiu ainda que a versão de produção do modelo será oficialmente apresentada dentro de sensivelmente um ano, com a entrega das primeiras unidades a clientes a ter lugar no início de 2019.