A taxa de desemprego está a descer de forma mais ou menos consistente desde que atingiu o seu máximo em 2013, mas o ‘desemprego real’ é quase o dobro da taxa de desemprego considerada oficial, de acordo com um indicador divulgado pela primeira vez esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
As notícias que chegam do mercado de trabalho são positivas. A taxa de desemprego não era tão baixa há mais de oito anos, há mais setores a criar emprego para além dos serviços e também há mais pessoas com menor nível de escolaridade a entrar no mercado de trabalho.
No entanto, nem tudo são rosas. E os números divulgados pelo INE mostram uma realidade bastante diferente daquela que é normalmente dada a conhecer. O Instituto Nacional de Estatística publicou pela primeira vez, esta quarta-feira, uma taxa de subutilização do trabalho, que engloba não apenas os desempregados que entram nas listas, mas também os inativos e o subemprego de trabalhadores a tempo parcial.
No segundo trimestre, havia 461,4 mil pessoas desempregadas que contavam para o cálculo da taxa de desemprego ‘oficial’. Mas incluindo estas pessoas que estão excluídas do mercado de trabalho, mas que não contam como desempregados para o cálculo da taxa ‘oficial’, o número passa a ser de 903,3 mil, quase o dobro.
Os dados do INE mostram que também aqui a realidade está a melhorar, com menos 140 mil pessoas a serem consideradas para esta taxa, em comparação com o segundo trimestre do ano passado.
Ainda assim, a taxa de subutilização do trabalho no segundo trimestre deste ano estava estimada em 16,6%, quase o dobro dos 8,8% da taxa de desemprego ‘oficial’.
Quem são estas pessoas de fora da taxa de desemprego?
O INE incluiu três novos grupos de trabalhadores que não contam para a taxa de desemprego neste novo indicador. Os inativos à procura de trabalho mas não disponíveis, os inativos disponíveis mas que não procuram trabalho e o subemprego de trabalhadores a tempo parcial. O que quer dizer cada um destes?
Inativos à procura de trabalho mas não disponíveis: pessoas que tenham procurado ativamente trabalho ao longo de um período específico (no período de referência ou nas três semanas anteriores), mas não que não estava disponível para trabalhar porque não tinham desejo de trabalhar, vontade de ter um trabalho remunerado ou uma atividade por conta própria, no caso de se poder obter os recursos necessários e a possibilidade de começar a trabalhar num período específico.
Estes incluem ainda, explica o INE, pessoas que estavam à espera do resultado de entrevistas, as que iam começar a trabalhar nos três meses seguintes ou mais, e por isso não procuravam emprego.
Inativos disponíveis mas que não procuram emprego: pessoas que, estando disponíveis para trabalhar, não tinham procurado emprego ativamente no período especifico. A procura ativa de emprego, como definida pelo INE, implica o contacto com centros de emprego público ou agências privadas de colocações, o contacto com empregadores, contactos pessoais ou com associações sindicais, colocação, resposta ou análise de anúncios, procura de terrenos, imóveis ou equipamentos, realização de provas ou entrevistas para seleção e/ou solicitação de licenças ou recursos financeiros para a criação de empresa própria.
Subemprego de trabalhadores a tempo parcial: este é o conjunto de trabalhadores a tempo parcial que dizem que querem trabalhar mais horas do que as que habitualmente trabalham e que estão disponíveis para começar a trabalhar essas horas, mas não encontram.


Todos queremos saber mais. E escolher bem.
A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.
Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.
Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.
Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.
Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.
O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.
Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.