Haverá preço para evitar o sofrimento ou levar uma vida sem dor? Esta é a questão colocada por uma equipa de economistas norte-americanos e islandeses num estudo publicado no National Bureau of Economic Research. A verdade é que existe um valor para tudo, até para a dor.

Os economistas da Universidade da Islândia e da Universidade do Michigan, nos EUA, decidiram quantificar quanto custa evitar a dor crónica em pessoas com 50 anos ou mais velhas, residentes nos EUA. O preço ronda, segundo o estudo, entre os 56 dólares (cerca de 48 euros) e os 145 dólares (cerca de 123 euros) por dia.

Anualmente, cerca de 60 mil pessoas nos EUA morrem de overdose de opiáceos. Tendo em conta o número, levantou-se a questão: até que ponto está alguém disposto a ir para evitar a dor?

Normalmente, o valor de produtos assenta naquilo que os mercados transmitem, mas tendo em conta que o valor do alívio da dor crónica não é algo que o mercado consiga quantificar, os investigadores decidiram criar uma metodologia.

Foram recolhidos e analisados dados de mais de 22 mil americanos, com idade equivalente ou superior a 50 anos, que tinham participado num estudo anterior de Saúde e Envelhecimento, entre 2008 e 2014. No inquérito eram colocadas três questões: qual era o nível de satisfação em relação à vida em geral, quanto dinheiro tinham gasto no ano passado e, por último, se tinham problemas frequentes relacionados com a dor.

Conjugar essas três variáveis não era fácil a nível estatístico, portanto usaram os valores encontrados para estimar quanto dinheiro era necessário para que uma pessoa que sofre de dor crónica levasse o mesmo nível de satisfação, em relação à vida em geral, que uma pessoa sem dor leva. Considerando o bem-estar que possuem na vida com dor, quanto é que estariam dispostos a pagar para ter exatamente o mesmo nível de vida, mas sem dor?

A resposta foi entre 56 dólares (cerca de 48 euros) e os 145 dólares (cerca de 123 euros) por dia. O que daria uma média entre 20 mil dólares (cerca de 17 mil euros) e 56 mil dólares (cerca de 47,500 euros) por ano.

Os resultados podem ser condicionados por uma série de outros fatores como o estado civil, a idade e as várias condições de saúde. No entanto, há dois fatores, segundo os investigadores, que têm uma forte influência nos números: a gravidade da dor, isto é, quanto mais exposta uma pessoa está à dor, mais está disposta a pagar para se livrar dela; e os rendimentos, pela razão óbvia de se ter mais dinheiro para gastar.

O estudo tem as suas limitações precisamente por se focar apenas em pessoas mais velhas, e por darem apenas estimativas, que não passam disso. Com o crescente envelhecimento da população, a dor crónica torna-se mais falada e valorizada. Mas há outros problemas a competir por financiamento, como as questões de pobreza, educação ou poluição.