Depois do célebre ‘Onde está o Wally?’, há um novo folhetim no verão de todas as loucuras no futebol europeu: onde está o Dembélé?

No treino do Borussia Dortmund, equipa com a qual tem contrato? Não, não consta. E o próprio técnico dos alemães, Peter Bosz, admitiu-o sem problemas em conferência. “Não veio treinar hoje, não sabemos bem porquê. Tentámos falar com ele mas não conseguimos. Espero que não tenha acontecido nada de mal”, disse. Mas o clube também não ficou a dormir e já anunciou que “o jogador está castigado por mau comportamento” e que vai falhar o jogo do fim-de-semana, para a Taça da Alemanha, por opção dos germânicos.

A caminho de Barcelona, a sua nova cidade? Não, não parece. O L’Équipe diz que o anúncio da contratação pode estar preso por algumas horas e que o jogador estará em Paris para fechar tudo com os blaugrana (daí ter falhado o treino) depois das primeiras notícias que falavam numa oferta de 100 milhões de euros recusada, ao passo que o Le Parisien fala já num pré-acordo por um negócio que pode ascender ainda aos 130 milhões. O Borussia Dortmund, entretanto, garantiu que o extremo encontra-se na Alemanha – e assim acabaram os rumores.

Em casa? Sim, é possível. Mas não há nada como tentar falar com a mãe de Dembélé. Afinal, é ela que decide tudo o que tenha a ver com a carreira do jovem de 20 anos. E foi assim desde sempre.

Nascido em Vernon, o extremo cedo se começou a destacar no futebol e rumou com 13 anos ao Rennes, um dos clubes com maior histórico a nível de formação na Ligue 1. Foi uma viagem longa entre Évreux e o local onde se iria mostrar ao mundo (300 quilómetros) mas valeu a pena. Estreou-se em setembro de 2014 pela equipa secundária, começou a destacar-se mais e mais, chegou ao conjunto principal em 2015. Mas enfrentou aquilo que provavelmente não lhe tinha ainda passado pela cabeça: o contrato.

O Rennes queria segurar o jogador com umas condições, o empresário pedia outras porque não se importava que ele se libertasse para outras equipas maiores. Já aí andavam na corrida nomes como Manchester City, Bayern, Borussia Dortmund ou Benfica (que saiu da corrida quando os franceses já pediam uma fortuna por ele). E entrou em cena a mãe. “Quando quis sair no último Verão, foi a mãe que lhe disse para ficar no Rennes e assinar contrato profissional. Não teve escolha”, admitiu o empresário Badou Sambagué ao The Guardian, em março de 2016.

“É muito importante que ele possa pensar apenas no futebol. O meu trabalho é proteger o Dembelé de toda a especulação. Conheço o Ousmane desde que nasceu: vivia no primeiro andar do prédio e a família dele estava no segundo. Andei na escola com o irmão e a irmã, conheço-os muito bem. Fui um exemplo para muitos jovens jogadores desta área porque fui internacional pelo Mali. O meu exemplo foi jogar e a seguir estudar, por isso formei-me em Direito. Foi ele que me disse para lhe apontar um futuro”, acrescentou Sambagué. Mas continuávamos na mesma: quando era para decidir, a mãe tinha a palavra. E no Verão de 2016 também foi assim.

Era impossível Dembélé aguentar mais uma temporada no Rennes: 12 golos em 26 jogos da Ligue 1 eram um cartão de visita demasiado atrativo. Apesar do interesse de várias equipas, o Borussia Dortmund levou a melhor. E porquê? Porque apresentou um projeto de desenvolvimento futebolístico e humano para Dembélé… à mãe. Os alemães pagaram 15 milhões de euros. Primeiro, tiraram rendimento desportivo: dez golos em 49 encontros oficiais onde se foi afirmando cada vez mais perante os problemas físicos de Reus e Götze; agora, podem tirar o rendimento financeiro. E falamos em valores oito a nove vezes maiores do que o investimento no ano passado.

Agora, aquele que Mikäel Silvestre, antigo internacional francês que passou pelo Manchester United, diz que um dia chegará ao nível de Cristiano Ronaldo (e o ex-defesa conheceu bem o avançado português nos primeiros tempos em Old Trafford), parece estar pronto a trocar pela segunda vez de clube em anos consecutivos. Mas podem fazer propostas, podem oferecer grandes prémios de assinatura: se não falarem com a mãe Fatimata, uma senegalesa-mauritana que está sempre a tomar conta dos seus meninos, a coisa não acontece…

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