A 15 de agosto de 2016, na final dos 800 metros, Pierre-Ambroise Bosse fez a melhor marca do ano (1.43,41) mas ficou a 48 centésimas das medalhas nos Jogos Olímpicos. Após a corrida, deixou uma mensagem a Rabs. “Sei que estás em casa e encontras-te dececionado. Peço desculpa. Sei que agora vais para a cama e abrirás uma cerveja”. E quem é Rabs? O gato do atleta francês mais divertido da atualidade.

Quatro anos depois, a França voltou a subir ao lugar mais alto do pódio nas grandes provas mundiais. O último tinha sido Teddy Tamgho, no triplo salto, em 2013. Mas todos apontavam para Renaud Lavillenie, campeão olímpico no salto com vara em 2012 nos Jogos de Londres, que tinha sido bronze nos Mundiais de 2015 e prata nos Jogos do Rio de Janeiro. Não foi ele. Mas o atletismo gaulês tem um novo Boss(e).

Pierre-Ambroise tinha sido campeão europeu de juniores em 2011, medalha de bronze nos Europeus de 2012 e campeão europeu Sub-23 em 2013. A partir daí, foi sempre às finais das principais competições, mas ficava-se pelo quase. Sétimo, oitavo, quinto, quinto, quarto. Agora chegou o seu momento de glória. E como celebrou? Foi beber duas canecas de cerveja, comer um hamburguer e fazer uns jogos no Casino. “Sinto-me como se estivesse na lua. Adoro jogar, apostei no vermelho e correu tudo bem, ganhei. Espero agora ter a mesma sorte ao amor”, contou.

Aos 25 anos, faz tudo à sua maneira. Não por arrogância, mas pela forma de ser particularmente divertida. Quando chegou ao pódio destes Mundiais, trocou o Marchons, Marchons do hino por Champion, Champion, Champion du Monde. Antes, na primeira entrevista após a corrida a um canal francês, fez imitações da forma como a parte final da prova tinha sido narrada, contou anedotas e trouxe as últimas novidades do gato, “que devia estar a fazer as unhas porque lá em casa é que estava quentinho”. Os comentadores em estúdio só riam…

Nem tudo foram facilidades para o atleta francês: a forma como acabou a meia-final não fazia antever o sucesso na corrida decisiva. E foi o próprio a assumir: “Corri com dores, não estava na condição ideal. Ainda me faltava uma semana e meia de preparação suplementar para voltar ao nível a que cheguei aos Jogos”. “Tenho a impressão de que sou um menino de 15 anos. Não compreendo, é incrível!”, atirou depois o gaulês que já tinha deixado uma mensagem de lamento pela despedida de Bolt dos grandes palcos… durante a apresentação dos atletas.

Depois da vitória, da cerimónia de entrega de medalhas e da festa, Pierre-Ambroise estava mais calmo. “As últimas horas foram passadas de forma mais isolada, no meu canto. Fiquei sozinho, na minha cama”, explicou. Até voltar a abrir o livro. “São vocês [jornalistas] que me fazem perceber a minha performance. Caso contrário, estava na minha pequena nuvem. Eu sou o Songoku, eu sou o Willy Wonka e o seu bilhete de ouro. Para mim, tudo é um conto de fadas. Se a minha vida vai mudar? Sim. Não é uma má sensação, mas atingi um feito muito, muito importante em termos desportivos e isso vai obrigar a mudanças. Se ainda penso na corrida? Não, acabou. Agora quero desfrutar, vem aí o meu momento de relaxar. Ontem estava muito nervoso, não consegui. Agora entrei numa outra categoria”, atirou.

Pierre-Ambroise é o novo menino querido do atletismo francês. Como o apelido, um Boss(e). Dentro e fora das pistas. Ele e Rabs, o gato que é o melhor amigo.