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Incêndios

17 fogos ativos em Portugal. Fundão é o mais preocupante

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Mais de 500 operacionais combatem o Incêndio na Serra da Gardunha, concelho do Fundão. Perto das 23h00, havia 17 fogos no continente que mobilizavam mais de 1300 homens.

Nuno André Ferreira/LUSA

Os incêndios em Castelo Branco e Vila Real eram os mais ativos esta tarde, quando Lisboa regista também três fogos, em Vila Franca de Xira, Sintra e Loures, segundo um balanço às 19h00 da Proteção Civil.

No segundo briefing do dia, feito na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil em Carnaxide, Lisboa, a adjunta de operações Patrícia Gaspar disse que só esta terça-feira deflagraram 130 incêndios, havendo 12 casos às 19h00.

Nesta tarde, disse, os bombeiros estão especialmente atentos aos fogos de Louriçal do Campo, que se estendeu ao Fundão, e de Vila de Rei, onde se temem reativações, apesar de o fogo estar dominado. Ribeira de Pena, em Vila Real, é outro foco de atenção.

O incêndio que afeta a Serra da Gardunha, Fundão, continua a ser o mais grave no mapa de ocorrências da Proteção Civil, mobilizando mais de 500 operacionais e 8 meios aéreos. Ao início da tarde, este fogo estava a avançar “com muita intensidade, numa área gigante”, havendo várias aldeias na linha do fogo e alguns pomares de cereja ameaçados, afirmou o presidente da Câmara. A Autoestrada A23 voltou entretanto a ser cortada, na zona de Castelo Novo.

O incêndio, que começou em Castelo Branco, no domingo, e que alastrou, ao meio da tarde desse dia, ao território do Fundão, “continua a lavrar com muita intensidade”, com “frentes descontroladas”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes.

“Há várias aldeias na linha do fogo: Alcongosta, Souto da Casa, Alpedrinha e depois, dentro de Souto da Casa, que é sede de freguesia, há várias anexas que podem estar também em perigo”, referiu Paulo Fernandes, frisando que “o fogo está a espalhar-se por uma área muito grande com várias localidades”.

A situação na Soalheira, que está “rodeada pelo fogo”, levou à retirada de pessoas das casas para um quartel dos bombeiros e para um lar, situados dentro da localidade, por não ter sido possível fazer a evacuação para fora da sede de freguesia, disse à agência Lusa o presidente da Câmara. Para além de Soalheira, o fogo entrou durante a tarde em Vale de Prazeres e ameaça também Alcongosta, onde as chamas já entraram dentro da localidade, sublinhou o autarca.

As frentes ganharam uma força incalculável. Há uma frente descontrolada entre Alpedrinha e Vale de Prazeres em direção a Póvoa de Atalaia”, contou à Lusa Paulo Fernandes, considerando que “muito provavelmente” outras aldeias poderão estar em perigo nas próximas horas.

De acordo com o presidente do município do Fundão, “há casas afetadas”, mas ainda não foi feita a contabilização.

O antigo Colégio de São Fiel foi consumido pelas chamas.

O incêndio obrigou também ao corte da Linha da Beira Baixa, entre Castelo Branco e Covilhã. Contactada pela agência Lusa, a CP referiu que um comboio que ia em direção à Covilhã ficou parado em Castelo Branco face ao corte da linha. O mesmo comboio faria depois a viagem de regresso a partir da Covilhã. O transbordo ainda não está assegurado, sendo que “a situação está em avaliação”, afirmou fonte da CP.

Alguns pomares de cereja – produto com grande impacto na economia local – “estão a ser afetados pelas chamas, mas ainda não é em grande quantidade”, afirmou à Lusa o presidente da Câmara do Fundão. No entanto, o incêndio “está-se a aproximar” de uma zona de pomares, acrescentou, aclarando que se procura combater as chamas nesse “ponto crítico”. De acordo com Paulo Fernandes, os quatro bombeiros que sofreram ferimentos ligeiros durante a noite já tiveram alta.

Este incêndio é agora o mais grave depois dos fogos de Ferreira do Zêzere e Vila de Rei terem sido considerados dominados esta manhã, ainda que continuem a mobilizar centenas de operacionais e meios aéreos para travar reacendimentos, num dia em que as temperaturas máximas vão subir. Em Vila de Rei, há cerca de 500 operacionais a tentar evitar reacendimentos.

Os dados da Proteção Civil a meio da tarde confirmam um agravamento do cenário com 14 fogos. O de Ribeira de Pena, em Vila Real, também mobiliza mais de 100 homens. Há ainda um fogo em Sintra, em S. João das Lampas.

No briefing da manhã, a porta-voz da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, sinalizou que se mantém o alerta laranja em todo o país, sublinhando que se espera uma subida das temperaturas máximas no interior, em particular no Alentejo, e temperaturas mínimas acima dos 20 graus. O balanço feito esta terça-feira de manhã aponta ainda para 55 feridos, dos quais 51 ligeiros, desde quarta-feira passada, para além de várias evacuações, sobretudo no final da tarde de ontem.

Segundo Patrícia Gaspar, na segunda-feira registaram-se 148 incêndios, descendo assim o número registado nos últimos dias, que tinha sido superior a 200 ocorrências. Destes 148 incêndios, os distritos com maior número foram Porto (47), Braga (14) e Viseu (14). No terreno, permanecem 620 militares da Marinha, do Exército e da Força Aérea e os meios aéreos continuam a contar com o apoio do avião de Marrocos e dos oriundos de Espanha.

Ontem as autoridades ativaram planos de emergência por causa dos incêndios florestais: Ferreira do Zêzere, Louriçal do Campo (Castelo Branco), Vila de Rei, Abrantes, Macedo de Cavaleiros e Santa Marta de Penaguião (Vila Real), com o concelho do Fundão a somar-se a esta lista na noite de segunda-feira. Terça-feira de manhã ainda estão ativados seis planos de emergência, avançou a Proteção Civil.

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