Primeiro, veio a pólvora. Depois, inventaram a bomba atómica. No futuro, as guerras serão combatidas com algoritmos? “Eles” (os robôs) já falam e, de acordo com o que está a ser discutido nas Nações Unidas, pode estar para breve o dia em que também fazem parte das guerras dos humanos. Mas não sem a resistência de alguns nomes bem conhecidos da comunidade tecnológica, sobretudo da inteligência artificial, como Elon Musk, o empresário e milionário que está ao volante da Tesla e nos comandos da SpaceX, e de Mustafa Suleyman, fundador da empresa de inteligência artificial DeepMind Technologies, que foi comprada pela Google.

Estes empresários juntaram-se a outros 116 especialistas de 26 países para alertar a ONU sobre os perigos de dotar máquinas de guerra com inteligência artificial. Pedem para que seja proibida a utilização e o desenvolvimento de “robôs assassinos”, ou seja, de soldados, veículos, drones e armas que não dependem de mão humana. Pode parecer que estão a contradizer-se — a Tesla não descansa até nos trazer um carro 100% autónomo (e capaz de prever e evitar acidentes) e a Google já faz destes uma norma, pelo menos no Street View –, mas a opinião muda quando o assunto são máquinas autónomas capazes de disparar armas (e de tomar essa decisão sozinhas).

É esse o ponto de partida de Musk e de Suleyman: é preciso distinguir um carro autónomo de outro que, sem intervenção humana, decide disparar um míssil.

A ONU aprovou recentemente a abertura de discussões formais sobre o tema com o objetivo de regulamentar este tipo de armamento: drones, tanques e robôs. Um grupo de investigadores de inteligência artificial e líderes de empresas de robótica reagiu de imediato, alertando para os perigos de normalizar esta tecnologia numa altura em que as grandes potências abrem a corrida ao armamento inteligente. A questão é: será que se poupam mais vidas humanas ao trocar soldados por máquinas capazes de disparar armas?

Assim que forem desenvolvidas armas autónomas e letais, estas vão permitir levar a cabo conflitos armados numa escala nunca antes vista e numa dimensão temporal nunca imaginada, mais rápida do que a compreensão humana. Podem ser armas de terror, armas vulneráveis a hacks e utilizadas por terroristas contra populações inocentes”, lê-se na carta que foi enviada à ONU.

“Não temos muito tempo para agir”, dizem. É que pelo Dubai já não são só os carros da polícia que são autónomos mas, em breve, também os polícias são feitos à imagem de um C-3PO menos simpático. Os dronessão o brinquedo de eleição das forças norte-americanas e a Rússia não esconde o orgulho no seu FEDOR. A Coreia do Sul já aplica a Samsung SGR-A1 ao longo de toda a sua fronteira com o norte — uma arma autónoma.

Pode mesmo ser o virar para uma nova realidade no que aos conflitos armados diz respeito. A regulamentação e limitação dos desenvolvimentos neste sentido são debatidos e votados pelas Nações Unidas em breve. Por cá, o Robocop e o Exterminador ainda não saíram do grande ecrã.