Clássicos

Achavam que tinham um clássico valioso. Mas têm um mono

Surgem frequentemente notícias de valores astronómicos pagos por automóveis clássicos. Mas convém saber como investir. Para não fazermos a figura de uma certa dupla... que tem um mono na garagem.

Quem quiser comprar um carro novinho em folha, com 15 anos, só tem de contactar o vendedor e fazer a sua proposta. Confuso? Pois, é… estranho! Mas há uma explicação: um casal de norte-americanos visitou o Salão de Detroit, em 2002. E foi aí que ambos, Doug e Roberta, sucumbiram de amores por um Mercury Marauder. Tanto que decidiram comprar o modelo. Por enquanto, tudo dentro da normalidade.

Anormal, isso sim, foi o facto de terem pedido especificamente ao concessionário para que os plásticos de fábrica não fossem removidos e para que o carro fosse transportado até casa, onde ficou devidamente instalado durante década e meia. Por devidamente, entenda-se numa garagem aquecida, sobre uma lona e coberto por uma protecção. Quietinho. Nunca circulou na via pública, pela mão dos seus proprietários.

Mas o conta-quilómetros marca 62 milhas (99,8 km), o que, segundo o vendedor, se explica por registar 3 milhas (4,8 km) aquando do seu levantamento no stand, devendo-se as restantes ao facto de as rodas traseiras do Marauder serem levantadas uma vez por mês, e girarem como se o Mercury estivesse no asfalto, mas sem sair do mesmo sítio. Um cuidado que, explicou Doug, se deveu à sua intenção de garantir que a transmissão e o diferencial traseiro recebiam a lubrificação adequada, mantendo-se em perfeitas condições.

A “jóia” da família, que até tem direito à sua própria galeria de fotos, testemunhando o cuidado posto neste investimento, está agora à venda. Porque Doug, 70 anos, teve um ataque cardíaco e precisa de fazer face a despesas médicas – nos EUA, o sistema de saúde é oneroso. Razão pela qual, o casal pede por o último dos sedans da velha escola americana 40 mil dólares. Ou seja, pouco mais de 32 mil euros. Valor que não paga sequer os 37 mil dólares investidos inicialmente na compra do carro (ao câmbio actual, tal equivale a cerca de 47.700 dólares, ou perto de 40 mil euros). Sendo que, a isso, há ainda que acrescentar o valor investido na manutenção, já para não mencionar o facto de Doug e Roberta nunca se terem “gozado” do tracção traseira.

Compraram-no a fazer fé que as poucas unidades que dele seriam construídas acabariam por fazer dele um clássico com valor. Mas venderam-se cerca 12 mil unidades, o que está (muito) longe de fazer deste Mercury Marauder um automóvel raro. Antes, banal. Depois, passaram apenas 15 anos sobre a sua construção, o que faz do Marauder um carro velho (apesar de novo, na mão destes dois), e não um clássico…

A não ser que surja um interessado em viajar numa cápsula do tempo, vai ser muito difícil a estes aspirantes a coleccionadores venderem a sua relíquia. Em jeito de lamento, fica o som do V8 4,6 litros com 302 cv de potência.

E um conselho: se vai comprar um automóvel como investimento, certifique-se de que tem história (por exemplo, foi propriedade de alguém conhecido), palmarés ou um número muito limitado de exemplares – regras básicas, para não fazer um negócio ruinoso. E, já agora, a coisa correrá melhor se a marca em causa gozar de grande reputação, tipo Bugatti, Ferrari, Aston Martin ou Lamborghini.

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