Em cada milhão de condutores que circula pelas ruas de Lisboa, há 212 mil que utilizam o telemóvel, avança o Diário de Notícias. Os dados foram revelados no estudo da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), divulgado esta quinta-feira. Destes 214 mil condutores, 77 mil utilizam o telemóvel enquanto conduzem, falando com ele na mão, em alta voz ou com auriculares, enviando mensagem de texto ou emails. Cerca de 137 mil utilizam o telemóvel enquanto estão parados nos semáforos.

De acordo com os resultados de 2015 do European Survey of Road User”s Safety Attitudes (ESRA), de que a PRP é parceira, os portugueses utilizam mais o telemóvel do que a média europeia. Em Portugal, 45,9% dos portugueses falaram com o telemóvel na mão pelo menos uma vez nos últimos 12 meses, sendo que na Europa, a média é de 37,7%. Mais: 60% dos portugueses falaram recorrendo a sistemas demãos livres, quando a média europeia é de 51,1%.

Em Portugal, são as mulheres que tendem a utilizar mais o telemóvel. Quando o carro está parado, há 15,6% de condutoras que utilizam o telemóvel, valor superior aos 12,8% de condutores que também o fazem. Quando o carro está em movimento, há 8,4% de mulheres e 7,3% de homens que têm o mesmo comportamento. Os condutores com menos de 30 anos também utilizam mais o telemóvel (15,3%) do que os mais velhos (7,4%). Quem viaja sozinho também recorre mais ao telemóvel em movimento do que quem leva outros passageiros. Neste caso, a diferença é maior: 17,3% contra 4,4%.

De acordo com a mesma organização, quem fala ao telemóvel enquanto conduz tem maior probabilidades de se envoler num acidente: o risco é quatro vezes superior ao de quem não tem este comportamento. Se em vez de falar ao telemóvel, estiver a mandar ou a ler mensagens ou emails, o risco é 23 vezes maior do que o de quem não o faz.

“No Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária para 2020 está previsto o estudo da implementação, em investigação criminal, de um mapeamento ao telemóvel para ver se, na altura do acidente, o condutor o estava a usar ou não. Nos Estados Unidos já foi implementado. Mas não é fácil, colide com a questão da proteção de dados”, adiantou ao Diário de Notícias Pedro Silva, porta-voz da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.