Podem custar pequenas fortunas, mas a verdade é que clientes não faltam ao Heart Project (Projeto Coração, em português). Alugar pais é um negócio de Ryuichi Ichinokawa e oferece-lhe a possibilidade de alugar um pai para discursar num casamento ou até substituir o pai que não tem.

Diz Ichinokawa que 20 a 30% dos pedidos são alugueres de pais para casamentos. De 30 a 40% são sobretudo pedidos com o intuito de alugar um pai “como substituto” de um pai que o cliente não tem ou com a intenção de o apresentar a uma futura esposa. Os clientes, esses, têm “entre 20 e 40 anos”, conta à Bloomberg.

E quanto custam estes serviços? Os pais “substitutos” são os mais caros. Para alugar um com esse propósito vai ter de pagar cerca de 233 euros. Para levar esse pai a um casamento, isso irá custar 116 euros. Dar um discurso é o serviço mais barato: cerca de 39 euros.

Os requisitos são maioritariamente por “vaidade” e não por “necessidade”, já que no Japão há uma grande preocupação com a aparência e com a forma como o resto da sociedade olha para os outros, conta Ichinokawa. Quando começou, pensou em levar o projeto para a frente sozinho, apenas desempenhando o “papel de pai para filhos criados apenas por uma mãe” e pouco mais. O negócio cresceu e começou a receber pedidos de pessoas a solicitar “mulheres”, “pessoas mais novas” ou “pessoas nos sessentas” e Ichinokawa começou a contratar mais trabalhadores para se juntarem a ele.

São mais de 100 os trabalhadores, todos “amadores” e nunca os entrevista pessoalmente, diz o próprio. “O recrutamento acontece todo na internet, por e-mail ou telefone. Reúno a informação básica sobre a disponibilidade, capacidades e aparência”. Às vezes chega a ter pedidos de 30 ou 40 pessoas para um só casamento. Mas Ichinokawa tem atenção a um pormenor: “se forem todos maravilhosos, isso vai parecer suspeito, por isso tenho de misturá-los“.

Antes de arrancar com este negócio, Ichinokawa começou por criar um site onde oferecia aconselhamento pessoal por e-mail. Cobrava o equivalente a 23 euros. “Comecei por receber imensos e-mails de centenas de pessoas preocupadas com cirurgias, ou de mulheres a querer falar sobre a sua imagem corporal e aparência”, até que chegou um pedido para comparecer a um casamento. O noivo precisava de alguém que fizesse um discurso em como ele – o noivo – era um grande homem. Conta Ichinokawa que foi o próprio noivo quem escreveu o discurso. O serviço acabou por correu bem, por isso acrescentou essa “opção” ao seu aconselhamento por e-mail.

As pessoas que recorrem a este serviço não têm mais ninguém a quem pedir, na maior parte das vezes. Somos o último recurso”, garante.

Apesar de todas as ofertas disponíveis, Ichinokawa assegura: o projeto não pretende ser um escape emocional nem aceita propostas que sejam ilegais.