Crime

Urban Beach: agressões entre clientes e seguranças levam jovem de 20 anos ao hospital

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Um grupo de 15 jovens diz ter sido agredido por vários seguranças do Urban Beach. Discoteca diz que agressão partiu dos clientes, que estavam a ter um "comportamento excessivo".

Fotografia da página de Facebook do K Urban Beach

Mais de uma dezena de jovens queixam-se de terem sido agredidos, esta madrugada, por funcionários da discoteca K Urban Beach, em Lisboa. Uma mulher de 20 anos, de nacionalidade filipina, chegou a ser levada de ambulância para o Hospital de São José. Os responsáveis pelo espaço dizem que a agressão partiu de um dos jovens e que o segurança se defendeu.

O alerta foi dado ao INEM e à polícia às 04h48 desta sexta-feira. O incidente envolveu cerca de 15 jovens, quatro portugueses, um americano e os restantes de nacionalidade filipina, com idades compreendidas entre os 20 e os 29 anos, que estavam a celebrar o casamento de um dos portugueses, marcado para amanhã.

Segundo uma das vítimas portuguesas, de 26 anos, tudo começou quando o irmão, o noivo de 29 anos, estava a “dançar aos saltos” com os amigos e familiares num dos privados — zonas na discoteca de acesso reservado.

Nessa altura, conta, é abordado por um barman, que lhe diz que não podem estar ali a saltar e que ameaça expulsá-lo da discoteca. O noivo, que está com uma perna engessada, respondeu “a barafustar”, mas “sem gestos agressivos”, relatou o português de 26 anos ao Observador.

Perante esta reação, o funcionário da discoteca saiu do bar e “agarrou-o pelo pescoço” e é aí que começam as alegadas agressões. “De repente, um segurança chega por trás, sufoca-o e leva-o ao chão. Nem tentou acalmar os ânimos nem nada, e o empregado ainda bateu no meu irmão”, referiu a mesma fonte.

As agressões começaram a ganhar dimensão, com “cerca de dez seguranças” a bater nos 15 jovens, continua a testemunha. Uma das raparigas de 20 anos, segundo o português, levou “um murro no peito” e “bateu com a cabeça numa mesa”, ficando inconsciente.

O grupo acabou por ser “arrastado” para fora da discoteca, entre agressões. Foi o irmão do noivo que, já fora da discoteca, ligou para o 112. O INEM confirmou ao Observador que foi chamado ao local e que uma jovem de 20 anos, com “queixas de dores de cabeça”, foi transportada pelos bombeiros para o Hospital de São José.

No total, e de acordo com a mesma fonte, sete pessoas foram assistidas no mesmo hospital em Lisboa. “Eu levei pontos no lábio, um irmão da noiva ficou com o olho todo negro, um primo da noiva levou três pontos no sobrolho, um outro tinha um pé que não mexia. Foi o caos.”

Quem também acorreu ao local foi a mãe dos portugueses. “Uma das raparigas ligou-me em pânico às cinco da manhã”, explicou ao Observador, contando mais alguns pormenores da agressão.

“O meu filho [o noivo] foi sufocado três vezes por um segurança, que de cada uma das vezes contava até 20 antes de o largar, para que ele não morresse. Até lhe tiraram as canadianas para o impedir de fugir.” Um outro irmão do noivo, que também foi agredido, aguarda “nova avaliação [médica] para saber se tem de ser operado ao nariz”.

Versão da PSP diferente das vítimas

Fonte das Relações Públicas da PSP confirmou ao Observador que ocorreu “uma desordem entre clientes e seguranças” esta madrugada, na discoteca K Urban Beach, e que uma pessoa foi conduzida de ambulância ao hospital.

Quando a polícia chegou ao local, às 04h48, as agressões já tinham ocorrido e a vítima já tinha sido levada de ambulância. Como não foi possível identificá-la — nem a própria identificar os agressores –, a polícia irá fazer “diligência” no sentido de apurar o identidade da vítima.

A PSP disse ainda ao Observador não ter conhecimento de outras pessoas agredidas, acrescentando que identificou o segurança que se encontrava à porta da discoteca, mas que pode não estar envolvido no incidente.

As vítimas, contudo, contam outra versão ao Observador. O português de 26 anos diz que várias pessoas do grupo falaram com a polícia à porta da discoteca, que queriam identificar os seguranças e o barman, mas tal não aconteceu. “Até me tentaram prender porque eu estava a recusar sair dali até, pelo menos, identificarem o barman. Quando ele veio cá para fora, não foi identificado. Nem ele nem nenhum dos seguranças.”

A polícia disse-lhe que tinha os seguranças identificados numa base de dados e a partir dali, poderiam identificá-los quando fossem apresentar queixa, acrescentou o português. “Nós vamos apresentar queixa, mas não temos um nome. Como é que vamos olhar para a base de dados?”

O Observador sabe que os portugueses tencionam apresentar queixa na PSP e que os cidadãos de nacionalidade filipina também vão fazer queixa na embaixada, mas não foi possível apurar se já o fizeram.

Discoteca diz que agressão partiu dos jovens

De acordo com Paulo Dâmaso, presidente do Conselho de Administração do Grupo K — que detém o espaço –, a agressão partiu de um dos jovens do grupo. “Foi um ato de defesa para repor a normalidade.”

O responsável diz que os jovens estavam a ter um comportamento “excessivo e que não é adequado” — como “meterem-se indevidamente com outras pessoas e subirem para cima das mesas” da discoteca. O vigilante mais próximo do local chamou-os “diversas vezes” e solicitou ” um comportamento mais adequado”.

“Na última vez que isso aconteceu, alguém do grupo agrediu o segurança.”

Em seguida, conta Paulo Dâmaso,”várias outras pessoas partiram para a violência” e o barman, ao aperceber-se da situação, “alertou via rádio que estava a acontecer um episódio [de violência] e que era necessária uma rápida intervenção”, no sentido de “acalmar”, “retirar as pessoas” e “repor a normalidade”. “Os vigilantes tiveram de se defender, porque o grupo passou para agressão e violência.

Quanto à jovem agredida, o presidente do Grupo K disse não ter conhecimento da situação, mas que iria “analisar as imagens” de videovigilância para apurar o que aconteceu. “Não sei quem poderá ter causado essa situação.”

A verdade é que são recorrentes as queixas de agressões nesta discoteca. Em 2013, um cliente foi espancado por um segurança depois de se ter recusado a sair da discoteca, tendo sido levado para o Hospital de S. Francisco Xavier, refere o Correio da Manhã.

Em novembro de 2014, o Correio da Manhã volta a dar conta de que um jovem foi agredido por vários seguranças da discoteca. O mesmo jornal refere uma outra agressão, um mês depois, desta vez com um jovem de 23 anos, que foi agredido por um barman e dois seguranças.

Em 2016, de acordo com o Notícias ao Minuto, duas jovens disseram ter sido agredidas por um segurança da mesma discoteca.

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