A meio do seu quarto mês como Presidente de França, Emmanuel Macron é menos popular do que Nicolas Sarkozy e François Hollande foram com o mesmo tempo de governação.

É esta a principal conclusão da sondagem do instituto Ifop para o Le Journal du Dimanche. Segundo aquele estudo, apenas 40% de franceses disseram estar satisfeitos com a governação de Emmanuel Macron — substancialmente abaixo do 54% que François Hollande e dos 69% que Nicolas Sarkozy reuniram quando também iam no seu quarto mês de poder.

Outro dado importante desta sondagem é a queda de popularidade de Emmanuel Macron nos últimos dois meses. Em maio, quando assumiu a presidência, tinha 62% de franceses satisfeitos com a sua governação e em junho até subiu para 64%. Porém, logo no mês de julho, afundou para 54%. Depois, a caminho do mês de agosto, teve ainda maior queda, desta vez para 40%.

“A soma dos descontentamentos e das frustrações é óbvia”, disse Frédéric Dabi, diretor-geral adjunto do Ifop ao Le Journal du Dimanche. “Está em níveis impressionantes dentro de todas as categorias de população”, sublinhou.

Os primeiros meses de governação de Emmanuel Macron têm sido marcados por medidas impopulares

Em termos etários, Emmanuel Macron perdeu popularidade entre todas as faixas, destacando-se uma queda de 16 pontos percentuais entre os reformados e de 15 pontos entre os entrevistados entre 25 e 34 anos. No que diz respeito à área profissional, os trabalhadores sem qualificações académicas são aqueles que mais o penalizam, com uma queda de 18 pontos percentuais. A nível ideológico, a maior queda dá-se precisamente entre aqueles que mais o apoiaram: os centristas (com menos 24 pontos percentuais) e os eleitores do MoDem, partido que se aliou à campanha de Emmanuel Macron, que quebrou 18 pontos percentuais no seu apoio ao Presidente.

A quebra de popularidade de Emmanuel Macron, que venceu a segunda volta das eleições presidenciais com 66,1% dos votos frente a Marine Le Pen, surge depois da tomada de várias medidas impopulares. Entre estas, segundo o Le Figaro,está o congelamento dos salários da função pública, os cortes no orçamento dos ministérios e também nos apoios à habitação jovem. Além disso, está também a restituição do não-pagamento do primeiro dia de salário a quem falte ao trabalho por doença — uma medida controversa criada por Nicolas Sarkozy, que François Hollande anulou e Emmanuel Macron agora ressuscitou, que pretende combater o absentismo mas que os sindicatos dizem ser “estigmatizante”.

Perante esta queda de popularidade de Emmanuel Macron, que outras sondagens também já tinham confirmado, o porta-voz do Governo francês, Christophe Castaner, reagiu da seguinte maneira: “Assumo da nossa parte a impopularidade de hoje, mas com a condição de que isto funcione e transforme o país”.